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Normose, quando o “normal” adoece

Afinal, o que é normal – certo ou errado? Achar normal coisas que não deveriam ser – pode ser uma doença? Pode sim. Normose é um termo dado para o que está sendo vivenciado por nós seres humanos e não percebemos o quanto isso está nos adoecendo. O termo normose está em discussão e estudado por pesquisadores que observando o cotidiano perceberam o quanto o considerado “normal” adoece. Muitas pessoas ficam normóticas de forma inconsciente.

Agora vamos a definição de normose: segundo autores Weil, Leloup e Crema (2014), pode ser considerada como um conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou agir aprovados por um consenso ou pela maioria de pessoas de uma determinada sociedade, levam a sofrimento, doenças e mortes. Ou seja, que são doentios ou mortais, exercidas sem que as pessoas tenham lucidez de seu viés patológico.

A pessoa normótica não assume sua forma original de ser. Precisamos ficar mais “antenados” (lúcidos) sobre os acontecimentos conosco nas nossas interações pessoais, midiáticas e outras. O que acontece é que perdemos muitos dos critérios e escolhas sadias e ficamos confusos com muitas ofertas e anúncios nos bombardeando no dia a dia.

A normose é uma tentativa forçada (doentia) de demonstrar normalidade. Diferente das normas sociais saudáveis, como acordar cedo e caminhar, onde isso é uma concordância de muitos, todavia, saudável. Outra normalidade neutra seria a de almoçar ao meio-dia.

Existem as normoses locais, estaduais e mundiais. E as gerais e específicas. Um exemplo bem clássico é a guerra em certos países, aquelas cenas de guerra nos trazem sofrimento, mas ainda continua aquela mesma situação e geralmente nos mesmos países.

As normoses específicas, como as alimentares, as políticas, as ideológicas e belicosas. A informática também pode ser perigosa – a informatose.

Outra normose bem comum: “obter” corpo perfeito, o carro do ano, a mansão e outros atributos sociais normóticos por demais. Nisso, quando uma norma é adotada, isso se torna uma conformidade e vai tomando proporções maiores. Exemplo: fisiologicamente a digestão se processa melhor até uma certa hora e no período noturno a digestão naturalmente é mais lenta, pois o corpo se prepara para o descanso. Atualmente vemos restaurantes que abrem somente a partir de um horário da noite. E isso está cada vez mais “normal” e geralmente entramos nessa “normalidade”. Isso é um dos exemplos mais simples e existem os mais complexos, dos quais nos deixam reféns de certas ideologias normóticas.
O nascimento da normose. O mais sério da normose é o medo de ser original. Começa no decorrer da infância, quando adolescente, aparece a necessidade tribal de ser aceito em algum grupo e geralmente deixamos de ser quem somos para agradar situações externas. Um exemplo é a escolha profissional, muitas vezes o desejo mais profundo nosso não é ouvido e desistimos, a escolha fica por conta do meio familiar e social, por isso é preciso ter uma escuta profunda da verdadeira intenção para sair da prisão normótica, imposta pela força mesológica. Na nossa sociedade ainda bastante patológica, vários indivíduos ficam reprimidos nos momentos de tomada de decisão e cedem tais pressões externas.
Podemos ser autômatos normóticos ou seres humanos mais conscientes e originais. Por isso, é importante as escolhas com critérios dentro do que pode ser mais evolutivo e saudável. Temos esse poder de discernir no dia a dia. Os automatismos anulam as manifestações originalíssimas de cada ser humano detentor de um modo peculiar de se manifestar. A pessoa precisa estar disposta a assumir sua singularidade.

Normalmente, essa assunção antinormótica acontece com a obtenção da autoestima sadia. Onde a pessoa não se preocupa demasiadamente em mostrar socialmente algo que não é. Seguir cegamente normas sem questionamentos inteligentes pode causar dependência de uma sociedade extremamente doente (normótica). Ouvir a voz interior, nossa intuição, ou, o que nosso ser mais profundo diz ainda é o melhor remédio antinormótico a se tomar atualmente.

Bibliografia: Weil, Pierre; Leloup, Jean-Yves; Crema, Roberto. Normose: a patologia da normalidade. 5. ed. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2014.

Filmografia: Matrix (1999).

Webgrafia: https://www.academia.org.br/nossa-lingua/nova-palavra/normose

https://blog.cicloceap.com.br/normose-a-doenca-de-ser-normal/

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