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POR AILTON CARLOS COELHO
Enquanto o debate sobre a segurança nas escolas muitas vezes se perde em discussões teóricas nas redes sociais, o município de Apiúna formalizou, na tarde de 19 de fevereiro, uma transição prática em sua estrutura educacional. Em ato cívico realizado na Escola Básica Municipal Victória Cerutti Petters, a prefeitura oficializou o início do modelo cívico-militar, tornando esta a primeira unidade de ensino da cidade a adotar o formato que prioriza a ordem e a hierarquia como pilares de apoio ao aprendizado.
Diferente do que propaga o senso comum, o modelo não altera o currículo pedagógico, que permanece sob a gestão exclusiva da equipe docente da escola. A intervenção militar é restrita à gestão de comportamento, organização e disciplina, visando criar um ambiente de respeito mútuo que reflita tanto no desempenho acadêmico quanto na conduta dos alunos fora dos portões escolares.
O papel dos agentes e o foco na gestão
A implementação conta com o suporte direto de dois agentes cívico-militares, que passam a integrar a rotina da instituição para auxiliar na manutenção dos protocolos de conduta. A proposta é que a presença desses profissionais reforce valores fundamentais, muitas vezes negligenciados no ensino regular tradicional, sem ferir a autonomia pedagógica dos professores.
A cerimônia de oficialização contou com a presença de autoridades municipais e estaduais, civis e militares; destaque para a presença do prefeito Marcelo Doutel, do secretário de estado da Defesa Civil Mário Hildebrandt (PL), do deputado estadual Oscar Gutz (PL), presidente da Casa Legislativa de Apiúna Josemar Lisieski e representantes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e dos Bombeiros Voluntários, simbolizando a união de forças em torno da nova diretriz de segurança e educação.
Experiência Técnica na Reserva
A escolha dos nomes para inaugurar o programa em Apiúna reflete um critério de experiência em segurança pública e atendimento comunitário. Os agentes selecionados trazem décadas de serviço prestado em diferentes frentes:
- Natal Corrêa de Negredo: Com 57 anos, o 3º Sargento da reserva é figura conhecida na região. Ingressou no 10º Batalhão da Polícia Militar em 1989 e atuou de forma contínua em Apiúna de 1990 até sua ida para a reserva em 2016. Possui especialização em Polícia Comunitária e formação como Socorrista pelo Bombeiro Militar.
- Rodrigo de Oliveira da Silva: Aos 30 anos, traz a bagagem de oito anos de serviço no Exército Brasileiro como Cabo. Sua trajetória inclui atuação como Bombeiro Voluntário, Bombeiro Comunitário e Guarda-Vidas pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, com vasta experiência em gestão de emergências.
Fortalecimento da Cultura Escolar
A administração municipal aposta que a transição para o modelo cívico-militar será um divisor de águas na redução de conflitos disciplinares. O fortalecimento de conceitos como pontualidade, respeito às autoridades escolares e preservação do patrimônio público são os objetivos imediatos da parceria entre a Secretaria de Educação e os agentes da reserva.
Com o início oficial das atividades neste ano letivo, a Victória Cerutti Petters passa a ser o laboratório local de um modelo que já demonstra resultados de excelência em outras regiões do estado, focando na formação de cidadãos conscientes de seus deveres e direitos.
[BOX 1] PERFIL TÉCNICO: OS AGENTES DO PROGRAMA
A escolha dos agentes cívico-militares para a EBM Victória Cerutti Petters priorizou o histórico de serviço e a conexão com a comunidade local.
- Sgt. Natal Corrêa de Negredo (57 anos): Natural de Ascurra, é um veterano da segurança pública com 27 anos de atuação direta em Apiúna (1989-2016). Além da graduação como 3º Sargento da PM, traz a expertise de cursos em Polícia Comunitária e Socorrista, fundamentais para a mediação de conflitos e segurança escolar.
- Cabo Rodrigo de Oliveira da Silva (30 anos): Natural de Mangueirinha (PR), soma oito anos de serviço no Exército Brasileiro. Possui um perfil operacional diversificado, com passagens pelos Bombeiros Voluntários e Comunitários, além de atuar como Guarda-Vidas pelo CBMSC, focando na prevenção e educação emergencial.
[BOX 2] CONTEXTO: O MODELO EM SANTA CATARINA
A implementação em Apiúna segue uma tendência de fortalecimento do ensino cívico-militar em Santa Catarina, estado pioneiro em diversos índices de segurança educacional.
- Foco na Disciplina: Dados de unidades que já adotam o modelo apontam uma redução drástica nos índices de evasão escolar e conflitos disciplinares (bullying e desacato).
- Gestão Compartilhada: O sucesso do programa reside na divisão clara de tarefas: enquanto os militares cuidam do pátio, da entrada e da disciplina, os professores focam 100% do tempo na sala de aula e no conteúdo pedagógico.
- Reserva Ativa: O programa utiliza o potencial técnico de oficiais da reserva, garantindo que a experiência acumulada em décadas na caserna seja revertida em benefício da formação cívica dos jovens.

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