FATTI & RACCONTI

Os engenhos de arroz de Ascurra

  

  A cidade de Ascurra era conhecida pela produção de arroz. A principal cultura movimentava a economia desde os primórdios. O processo era todo manual feito basicamente pela família italiana que costumava ser enorme. O corte do arroz era feito de forma manual com o ferro de cortar e era empilhado em forma de maços. Depois era transportado com cavalos ou bois para o rancho do agricultor. O próximo passo era “bater” o arroz a fim de que os grãos soltassem. O produtor usava cavalos ou bois que pisoteavam as pilhas até que o arroz ficasse totalmente solto. Posteriormente a palha era separada e os grãos deixados no chão para secar. Depois de secos e ensacados eram vendidos para engenhos da cidade.

  Aos poucos a tecnologia foi aparecendo. As batedeiras substituíram os animais para soltar o grão de arroz. A colheita passou a ser feita pelas colheitadeiras que, além de colher, batiam o arroz e inclusive ensacavam o mesmo. Menos jovens no campo e estes procuravam outras formas de trabalho.

  Todo o arroz plantado em Ascurra era beneficiado pelos engenhos da cidade que eram muitos. Hoje não existem mais engenhos e aqueles enormes prédios ficam somente na lembrança. Os engenhos processavam o arroz branco que sempre sofria muita quebra no processo de descascar. Mais adiante, precisamente nos anos 1948 e 1949, surgiu o arroz amarelão que consistia em um processo diferente e inovador ao descascar os grãos. A descoberta feita por Eugênio Poffo, empresário do setor, proporciona um maior rendimento pelo fato da pouca quebra do grão. O arroz ficava de molho quatro dias em tanques de água. Depois era lavado para não ter cheiro e seco em forno a lenha. Depois era espalhado no assoalho para secar e mais adiante descascado pelas máquinas do engenho.

Foto divulgação com Legenda: Antigo prédio do engenho de Atilio Zonta no centro de Ascurra.

 

Os engenhos de Ascurra

  A Sociedade Ribeirão São Paulo: Esse engenho era de propriedade de José Buzzi com os irmãos Ângelo, Quirino entre outros irmãos. Felice Viviani e Amabílio Testoni, moradores do bairro, também eram sócios. O engenho ficava onde é hoje a empresa Casarão que fabrica produtos de limpeza. Além do engenho, o local era um comércio com produtos gerais e armarinhos. A empresa foi criada em 1940 e fechou na década de 1970.  Por volta de 1948 um incêndio quase destruiu todo o prédio. Foi na madrugada quando a cidade enfrentou uma enchente. Todos os vizinhos com baldes de água ajudaram para que o estrago não fosse maior. Ali tínhamos também uma importante loja de tecidos que era administrada por Gelindo Testoni, Ivo Testoni e Vili Viviani.

 A Sales União Ltda: Este engenho de arroz ficava próximo ao da Sociedade Ribeirão São Paulo. Mais precisamente ao lado da casa de Rinaldo Poffo. Tinha trinta e seis sócios, onde a maioria eram agricultores. Seu principal administrador era Eugênio Poffo. A empresa com este nome foi criada em 1948 e fechou em 1955. Porém o mesmo prédio foi palco de várias empresas com a mesma atividade e o nome Sales União permaneceu até 1968. No ano de 1935 chamava-se Irmãos Poffo, já em 1957 era administrada por Amadeu Testoni e Ambrósio Poffo onde o contador era Arlindo Ferrari. Mais adiante, de 1969 a 1974 mudou para Depiné e Merini. A partir de 1974 até a década de 1980 passou a chamar-se Emiva onde era administrada pelos sócios Emilio Poffo e Aldo Valdir Pintarelli e logo depois administrada por Aristeu Poffo. Próximo ao local havia outra construção pertencente à empresa Emiva. Tratava-se de espaço para armazenamento e secagem de arroz. Depois da empresa ser fechada, o local foi transformado em uma discoteca.

  Bairro Estação: No bairro Estação também tínhamos um engenho. Era de propriedade de Severino Poffo e foi criado na década de 1940. Posteriormente, nos anos sessenta foi comprado pela empresa Emiva. O nome da empresa era abreviação de seus proprietários: Emilio e Valdir: Emílio Poffo e Aldo Valdir Pintarelli.

  Cooperativa no centro: No centro da cidade mais no final da Av. Brasília, tínhamos outro engenho cuja propriedade era de Atílio Zonta. O local, prédio antigo ainda existente, fica em frente à Loja Dani Calçados. Do lado uma residência antiga que era de propriedade de Atílio Zonta. Posteriormente transformou-se em uma cooperativa administrada por Antonio Heitor Fistarol. Foi criado na década de quarenta e encerrou as atividades na década de setenta.

  Engenho de Cecílio Zonta no Centro: Ainda no centro, em frente a Agropecuária na Av. Brasília, tínhamos outro engenho administrado por senhores de Rodeio: Scoz e Furlan. Este iniciou na década de 40. Posteriormente foi adquirido por Cecílio Zonta e Amabílio Testoni. O mesmo fechou na década de 70 após um grande incêndio que destruiu completamente as instalações.

  Irmãos Dalfovo: Este engenho também ficava no centro da cidade na Av. Brasília. O local hoje é ocupado por uma agropecuária. Era de propriedade dos irmãos Antônio e Aleandro Dalfovo e foi criado na década de sessenta. A unidade de Ascurra foi fechada no ano de 2004, mas continuou na unidade de Rio dos Cedros SC. O famoso arroz Dalfovo levou o nome de Ascurra para todo o sul do Brasil.

  As enormes construções dos engenhos de arroz eram marca registrada da cidade. A cultura do arroz é que determinava o ritmo da economia ascurrense. Empregos no campo e na indústria movimentavam o comércio local. Empresários que com pouco estudo, mas com muita experiência e determinação deixaram um legado.

Os engenhos de arroz de Ascurra Anterior

Os engenhos de arroz de Ascurra

Eugênio Poffo Próximo

Eugênio Poffo

Deixe seu comentário