OPINIÃO

O Desafio do Crescimento: Vocação, Trabalho e o Futuro de Ascurra

   

Ascurra vive um momento crucial de sua história econômica e social. Com uma população que supera os 8 mil habitantes e uma extensão territorial delimitada, o município soube construir, ao longo das últimas décadas, uma base sólida que garante uma qualidade de vida respeitável aos seus cidadãos. A presença de indústrias do setor tecnológico e de outras matrizes produtivas demonstra que a cidade não ficou estagnada no tempo. Contudo, o desejo legítimo de expandir a economia local nos impõe uma reflexão profunda, realista e distante de promessas fáceis: se trouxermos mais indústrias, haverá mão de obra qualificada para preencher essas vagas?

O crescimento econômico sustentável não brota do acaso, tampouco de incentivos fiscais isolados. Ele depende, fundamentalmente, do capital humano. As duas últimas administrações municipais merecem o devido reconhecimento pelo trabalho que realizaram ao estruturar o turismo e valorizar a cultura local, setores que injetam dinamismo na comunidade e fortalecem o comércio. No entanto, o turismo e os serviços, por mais prósperos que sejam, operam como engrenagens complementares. O verdadeiro salto de patamar de um município de pequeno porte exige uma definição clara de sua identidade produtiva.

Como bem pontuou o ex-prefeito da cidade e atual Secretário de Estado do Planejamento, Arão Josino, o segredo para o desenvolvimento regional reside em diagnosticar com precisão a vocação do município e, a partir disso, investir maciçamente na qualificação das pessoas. Não adianta atrairmos grandes complexos fabris se os postos de trabalho gerados precisarem ser ocupados por trabalhadores de outras regiões, deixando a população local à margem dos melhores salários. A verdadeira valorização do cidadão ascurrense passa por dar a ele as ferramentas necessárias para que seja o protagonista do progresso da cidade.

O Parole, com uma visão econômica conservadora e responsável entende que o papel do poder público não é inflar a máquina estatal ou criar falsas demandas, mas sim garantir as condições de liberdade, segurança jurídica e infraestrutura para que a iniciativa privada prospere. Em Ascurra, esse dever de casa inicial vem sendo feito. O próximo passo exige coragem para enfrentar o apagão de mão de obra que assombra o Vale Europeu. A parceria com o Sistema S, a criação de cursos técnicos voltados às demandas reais das empresas instaladas aqui e o estímulo ao empreendedorismo jovem são caminhos já iniciados.

Precisamos debater o futuro de Ascurra com os pés no chão. O crescimento territorial pode ser limitado pela geografia, mas a capacidade de gerar riqueza e inovação através do trabalho duro e da competência técnica não possui fronteiras. O foco absoluto deve ser a transformação do potencial humano em força produtiva real. Só assim, unindo a tradição de nossa gente com a modernidade que o mercado exige, garantiremos que Ascurra continue sendo um lugar próspero para se viver, empreender e criar as próximas gerações com dignidade e independência.

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