Sem diálogo
“Sempre vejo anunciando cursos de oratória. Nunca vi curso de “escutatória”. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.” Rubem Alves.
Com a era das redes sociais e o atual cenário sociopolítico brasileiro, juntamos a fome com a vontade de comer.
Juntamos um ambiente, ainda que cibernético (uma verdadeira terra de ninguém) com pessoas loucas para somente “vomitar suas verdades” sem se preocupar com a integridade moral. Temos uma longa e inútil discussão sobre política, sociedade, entre outras coisas que fica somente no mundo virtual. Poucos os que gostamdeler(ouvir)o queo outro tema dizer.
“[...] basta um assunto um pouco mais polêmico e a histeria coletiva se instaura. Insultos, xingamentos, farpas são trocado sem algo que deveria ser um diálogo, a troca de ideias, de argumentações, de vivências, acerca de alguma coisa. E nesse processo de ruptura cognitiva e comunicativa, há a formação das bolhas. Isoladas, sozinhas, e extremamente sensíveis ao toque do outro, acima de tudo, se este outro pensa diferente.” Isso retrata fielmente o atual estado (caótico) em que nossas relações virtuais se encontram.
Assim, toda vez que alguém discorda de um argumentodado,ao invés de haver uma análise racional acer cad oque foi dito e,porconsequência,aconstrução de um contra-argumento, buscando enxergar a problemática em um panorama mais amplo, ocorre o lançamento de palavras que destroem a possibilidade da formação de um diálogo e um debate no plano das ideias,deformaracional,humana e respeitosa.
E se, na hora de publicar alguma coisa ou de comentar em alguma coisa, parássemos para refletir bem acerca do assunto? E se respeitássemos a opinião dooutro?Esepraticássemosmaisa“escutatória”?





