Parentesco Corporal e Espiritual
“Eis aqui, lhes disse, minha mãe e meus irmãos. Porque o que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã e minha mãe”.
Marcos, III: 20-21 e 31-35
Mateus, XII: 46-50
O Espírito encarnado na Terra, sendo uma individualidade pré-existente ao corpo, que lhe dá a possibilidade de se expressar, de viver experiências necessárias ao seu desenvolvimento, no relacionamento com os demais, é herdeiro de si mesmo.
Traz consigo o resultado das vivências em outras existências, das muitas outras experiências que lhe marcaram o ser, dando-lhe características próprias, que lhe constituem a individualidade eterna, em desenvolvimento, a caminho da perfeição.
Assim, herda dos pais apenas o corpo físico que, pelas leis da hereditariedade, lhe proporciona as condições necessárias à evolução espiritual, na fase em que se encontra.
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Assim, a família consanguínea é um importante instrumento para o novo homem, a nova personalidade que esse espírito é constrangido a viver, para continuar sua trajetória evolutiva.
Essa família é, geralmente, constituída por espíritos afins, daí, as semelhanças de determinadas características; pode também, existir nela, elementos estranhos para aprender hábitos novos, e até Espíritos que não se simpatizam, que se hostilizam, para transformarem esses sentimentos negativos em sentimentos nobres e prazerosos, através das experiências em comum.
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Há, então, dois tipos de famílias: as formadas por laços espirituais e as formadas por laços corporais.
As primeiras são duradouras, perpetuam-se no plano espiritual, através da migração de almas, como diz Kardec, purificando-se na medida da purificação dos seus membros. Fortalecem-se e crescem, continuamente, na medida dos novos afetos que vão acontecendo no decorrer das existências.
As segundas extinguem-se por falta do alimento espiritual, podendo até dissolverem-se civil ou moralmente, na vida atual.
Essa é a mensagem de Jesus quando disse a seus discípulos: “Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Porque o que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão e minha mãe”.
Refere-se Jesus à família espiritual, que reúne os que se afinam em sentimentos e ideais, destacando-a da corporal, provisória, um instrumento importantíssimo para o desenvolvimento moral do Espírito, bem como para a formação e crescimento da família espiritual.
Jesus não estava renegando sua mãe e seus irmãos, apenas, aproveitando o momento, como sempre fez; demonstrou a existência da família espiritual, que é a mais importante e mais prazerosa ao Espírito imortal, por ser a que busca fazer a vontade do Pai, na vivência do amor entre seus membros, em um exercício par ao amora qualquer próximo.
A meta do homem encarnado é envidar esforços para que sua família corporal, pela reunião de afetos e desafetos em reencontro, seja ou se torne participante da sua família espiritual, no esforço de um relacionamento de respeito e compreensão às diferenças, transformando os laços consanguíneos em laços espirituais, pelo afeto.







