A gente curtia e compartilhava
Fernando Carvalho,ColunistaSocialeCronistadoO DiárioOnline,escreveu sob rea transição da sua geração em relação a interação com o tempo agora aliado a tecnologia.Como interpretamos as relações interpessoais. (...) Será que o tempo era mais lento? Pode ser. A gente era menos atarefado? Talvez. Acho que éramos mais gentis com o tempo, isso sim. Nós o apreciávamos reconhecendo a presença do outro. Nenhum Smartphone ou iPad se intrometia entre nós, e estou certo de que não apenas pelo fato de essas tecnologias não estarem disponíveis na época.
A questão é: compartilhamos algo e estamos refém de uma aceitação atravésde visualizações ou curt idas? (...) A verdade é que adorávamos conversar e as nossas prosas eram longas e principalmente muito divertidas. Ríamos muito, de doer a barriga. Gostávamos da rua. De correr, andar de bike e de ouvir músicas. De jogar bola, paquerar e contar histórias. Isso nos permitia ter amigos. Trocávamos figurinhas, sonhos e presentes.
Trocávamos discos, filmes e livros. E claro, as coisas da vida da gente, obviamente. Adorávamos fazer novos amigos. A maioria dos meus amigos o é há mais de uma década.
A rapidez da comunicação nos dias de hoje é útil e necessária. Agora a certeza de que a pessoa está ali porque quer, sem obrigação de cumprir agenda social, nos resta dúvidas... Quem mais amigos tem, mais popularé,virtualmente falando.Seráqueissoéreal?
(...) Essa honestidade sobre o afeto pelo outro demanda tempo, e não está escravizada pela mensagem visualizada e não respondida em trinta segundos, pela necessidade de registrar cada sorriso,peloescancaroda intolerância mediante a diferença de opiniões e escolhas. Afeto, meus caros, é trabalho contínuo. A verdadeira amizade depende de quanto você quer conhecer o outro? Eu adoro tecnologia, mas amo gente, proximidade, calor humano.
Afeto,meuscaros,é trabalho contínuo...Reflita!
Com informações de Fernando Carvalho (Diário Online). Texto revisado pela redação.






