SC é referência na busca por desaparecidos
Estado sediará o 1o Encontro Nacional de Pessoas Desaparecidas, nos dias 7 e 8 de maio

O filho que foi visto pela última vez saindo da escola, no final da aula. O avô que foi visitar um amigo e não chegou ao destino, nem retornou mais para casa. A mãe que saiu para mais um dia de trabalho e não voltou. As histórias são diferentes e o mistério que envolve pessoas que desapareceram pode ter as mais variadas explicações. Mas todos os casos reservam um ponto em comum: por trás de um desaparecido há sempre uma família aflita, em busca de respostas.
Só em Santa Catarina, são registrados três mil casos de desaparecimento de pessoas por ano (média dos últimos sete anos). Para se ter uma ideia, 42,6% dos casos são de crianças ou adolescentes. No Brasil, o número sobe para 200 mil, neste mesmo período, sendo 40 mil deles crianças e adolescentes.
Graças a programas como o SOS Desaparecidos, da Polícia Militar, o Estado é, hoje, referência na busca por desaparecidos e sediará o 1o Encontro Nacional de Pessoas Desaparecidas, que acontece nos dias 7 e 8 de maio, em Florianópolis.
"Estimamos que 80% dos casos sejam resolvidos por si só, já que não envolvem crimes, necessariamente. Ainda assim, a localização é essencial. Sempre que uma pessoa desaparece, uma família inteira se desestrutura. Não saber se a pessoa que sumiu está viva ou morta, se está bem ou sofrendo, e em que condições, é angustiante", explica o coordenador do programa SOS Desaparecidos da Polícia Militar, major Marcus Roberto Claudino, que também é autor do livro "Mortos Sem Sepultura", que fala sobre o mesmo assunto.
Os 20% restantes são o foco principal desta rede, a SOS Desaparecidos, criada no dia 24 de outubro de 2012. Pessoas que estão desaparecidas e podem ter sido sequestradas, usadas no trabalho escravo dentro ou fora do país, mantidas em cárcere privado ou até vítimas de algum outro crime, como assassinato.
"Nestes casos, há indício de crime. E é aí que a rede entra em ação", destaca o coordenador do SOS Desaparecidos da PM.
Busca imediata é determinante
Desde 2012 criou-se um protocolo de prioridades para os policiais militares de todo o Estado. De acordo com o procedimento, pessoas que desapareceram devem ser procuradas imediatamente, principalmente se forem crianças. "Aquela história de que tem que esperar 24 horas ou até 48 horas para registrar um BO (Boletim de Ocorrência) não existe, principalmente em se tratando de crianças", insiste Claudino.
Convencer os policiais que atuam na prevenção de crimes graves, nas ruas, a trabalhar na busca de desaparecidos também foi uma missão difícil para a equipe comandada pelo major Claudino. "O policial que trabalha na rua está acostumado com ação, combate ao crime, adrenalina. É preciso um trabalho constante de conscientização para convencê-lo da importância de procurar pelos desaparecidos", esclarece o coordenador do programa.
Os primeiros momentos do desaparecimento são vitais para o sucesso da busca e pode evitar a violência contra as vítimas ou até a sua morte. Um estudo internacional comprova que crianças resgatadas em até sete dias tiveram sua busca iniciada nas primeiras 24 horas após o seu desaparecimento.
Quanto antes a pessoa for procurada, menos chance haverá de ela de ser levada ou atraída para fora do Estado ou até do país.
Internet é aliada
A internet - especialmente as redes sociais, como o Facebook tornou-se uma grande aliada do trabalho de busca por pessoas desaparecidas. A divulgação de fotos na rede mundial de computadores tem um alcance e uma eficácia ainda maiores do que a própria polícia, como explica o major Claudino. "Infelizmente, o sistema policial tem as suas limitações. Se uma pessoa desaparecida é levada ou atraída para outro Estado, ou até para fora do país, fica mais difícil localizá-la por vias oficiais, já que os sistemas das polícias não são integrados".
Na internet: www.pm.sc.gov.br/ desaparecidos www.facebook. com/sosdesaparecidospmsc www.adjorisc.com.br
Com informações da Polícia Militar de Santa Catarina (Adjori/SC). Texto revisado pela redação.







