Rompimento na Lagoa da Conceição: 5 anos de traumas e lições ambientais em Florianópolis
Cinco anos após rompimento da lagoa da Casan na Lagoa da Conceição, moradores enfrentam traumas, biodiversidade perdida por eutrofização e espécies invasoras. Indenizações saíram, Casan investiu R$ 30 mi, e projetos como Lagoa Viva prometem restauração. União comunitária persiste.

Cinco anos após rompimento da lagoa da Casan na Lagoa da Conceição, moradores enfrentam traumas, biodiversidade perdida por eutrofização e espécies invasoras. Indenizações saíram, Casan investiu R$ 30 mi, e projetos como Lagoa Viva prometem restauração. União comunitária persiste.
O dia que mudou a Lagoa da Conceição para sempre
Imagine acordar com gritos e água invadindo sua casa até o telhado. Foi assim em 25 de janeiro de 2021, numa manhã que parecia comum na Lagoa da Conceição, cartão-postal de Florianópolis. O rompimento de uma lagoa artificial da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) liberou cerca de 180 milhões de litros de efluentes pelas ruas, alagando 78 casas e arrastando 21 veículos. A Avenida das Rendeiras, via principal do bairro, ficou interditada por dias.
Você já parou para pensar como um erro de infraestrutura pode abalar comunidades inteiras? Esse desastre não foi só material – deixou marcas profundas na vida das pessoas.
Traumas que persistem: histórias de moradores
Mariana Furlan Antigo, 44 anos, dormia no andar de cima de sua casa alugada quando a água subiu rápido. "Tudo no primeiro andar boiava, com cheiro de gás e curto-circuito", relembra ela. Perdeu o carro e, pelo trauma, mudou-se e evita a rua até hoje. A comunidade ajudou com doações de roupas e itens essenciais, criando laços que duram.
Isnard Luí, cujo pai morava no bairro há 25 anos, correu para lá após mensagens de amigos. O idoso, recém-operado, sentiu a "sensação de quase morte", mesmo com a casa intacta. "Os moradores se uniram para cobrar a Casan", conta Isnard. Hoje, o pai monitora o tempo obsessivamente, assombrado pelo medo.



