SEE JORNAISQuarta-feira, 14 de outubro de 2026Leia também: Cabeço Negro
PublicidadeAnúncio de LENNY MODAS

“Temos que separar o discurso do que é tecnicamente é viável”

Coordenador da Frente Parlamentar Catarinense, em Brasília, o deputado Federal Mauro Mariani (PMDB) conversou com a Agência Adjori de Jornalismo sobre as prioridades para este ano. O político, que já foi secretário de Infraestrutura do Estado, defendeu que é preciso mais objetividade e menos discurso na resolução de questões como as das ferrovias, portos e estradas.

“Temos que separar o discurso do que é tecnicamente é viável”
Entrevista: MAURO MARIANI, deputado federal (PMDB), coordenador da Frente Parlamentar Catarinense Lúcio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados

Agência Adjori/SC de Jornalismo - Quais são as principais bandeiras da Frente Parlamentar Catarinense, neste ano?

Deputado Federal Mauro Mariani - O Fórum acolhe todas as demandas da sociedade. Mas as que mais impactam são as ligadas à infraestrutura, principalmente as nossas rodovias federais, pontes e outras obras que envolvem a mobilidade e o transporte.

Adjori/SC - O senhor já foi secretário de Infraestrutura, aqui no Estado, e conhece as demandas mais importantes. Quais seriam?

Mariani - Modestamente, a gente acabou aprendendo, ao longo da trajetória e da nossa caminhada. Outro tema relevante, além das estradas, são os aeroportos regionais. São 13, mais o de Florianópolis. Santa Catarina vai receber um volume grande de investimentos nos aeroportos. Isso já está determinado e assegurado. O ministro Eliseu Padilha (ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil) disse que já dispõe, inclusive, de orçamento para tocar isso. Então, nós vamos ter que acompanhar de perto. Porque é um diferencial você ter um aeroporto, por exemplo, lá em São Miguel, que pode operar à noite. Em São Joaquim, por exemplo, que tem uma pista pronta, e a cidade tem uma vocação para o turismo. Temos que colocar isso em funcionamento.

PublicidadeAnúncio de BIA TÊXTIL

Adjori/SC - Por falar em estradas, tem também a questão dos portos, importantíssima para o desenvolvimento do Estado e escoamento da produção...

Mariani - Tem uma série de coisas que têm que ser feitas nos nossos portos. Em Santa Catarina, estão previstos, só para a Baía da Babitonga, nos próximos anos, mais de R$ 2 bilhões de investimentos privados na construção de terminais graneleiros. Então, precisamos dar condições. Aí, também podemos fazer a interface com as ferrovias. Imagine você, só o Porto de São Francisco escoa 6 milhões de toneladas de soja. Agora, com mais três novos terminais e a ampliação vamos triplicar este volume de grãos. Se nós não trouxermos por ferrovia, vamos triplicar o movimento de caminhões acessando os portos e congestionando as estradas.

Adjori/SC - Neste caso, os caminhões não só passam a congestionar, como colaboram para a má conservação das estradas.

Mariani - Sim, e daqui a pouco esta situação acaba inviabilizando, também, Santa Catarina, por causa da competitividade. Nós temos que fazer valer a nossa força, temos que brigar, lutar, espernear, não podemos entrar nessa de que o Sul e o Sudeste - a própria presidente declarou - já têm estrutura por demais. Isso é muito mal. Nós temos uma infraestrutura melhor do que em alguns estados, mas também, por consequência, fizemos a nossa parte, fizemos o dever de casa. Somos estados que produzimos, que contribuímos para o Brasil. Não podemos deixar com que a falta de investimentos acabe se tornando um problema e um gargalo no desenvolvimento do Estado.

PublicidadeAnúncio de HB

Adjori/SC - Ainda batendo na tecla da questão das ferrovias, deputado, o senhor vê como algo próximo de acontecer os projetos de ferrovias como a do Frango, Translitorânea e de Integração?

Mariani - Eu não quero entrar no discurso político disso. Temos que separar o discurso político do que tecnicamente é viável.

Adjori/SC - E o senhor vê estes projetos como viáveis?

Mariani - O que eu vejo que é importante para Santa Catarina: uma ferrovia que venha do Mato Grosso do Sul, trazendo os grãos para a nossa agroindústria e deslocando a produção para os nossos portos. Isso eu acho fundamental e isso é viável, porque nós importamos milhões de toneladas de grãos para alimentar a nossa agroindústria. Porque se não, daqui a pouco, a nossa agroindústria vai embora, ela vai para onde está o grão. Precisamos baratear este custo. Baratear este custo significa ter transporte ferroviário. Isso é estratégico. Não adianta entrar no discurso político de onde vai ser esta ferrovia, por onde vai passar. Para o desenvolvimento do Estado isso é irrelevante. Relevante é a ferrovia sair do MS e trazer grãos e depois escoar a produção para os portos. Temos que tratar isso com muita maturidade, transparência e competência, baseados em estudos técnicos.

Adjori/SC - E o senhor que tem essa ligação com o Interior de Santa Catarina, além da infraestrutura, que outro tema está mais gritante para o morador das cidades interioranas?

Mariani - A saúde. Nós recebemos constantemente visitas e demandas dos nossos hospitais filantrópicos, que hoje atendem mais de 70% da demanda e recebem apenas 30% dos recursos do SUS. Alguma coisa está errada aí. Precisamos rever esta ligação. Hoje, todos os parlamentares têm aportado recursos nos hospitais. Ouso dizer que só no orçamento de 2015 nós devemos ter para os hospitais filantrópicos algo em torno de R$ 70 milhões de emendas parlamentares. Cada vez mais a saúde reclama investimentos e precisa de investimentos.

Com informações da Agência Adjori / Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.

Leia também em Santa Catarina

Receba as notícias de Ascurra e região

Um aviso quando sair matéria importante. Sai quando quiser.