“Espero que o Pacto Federativo saia da gaveta”
Em entrevista à Agência Adjori de Jornalismo, o senador Luiz Henrique da Silveira fala sobre o ano que passou e os próximos quatro anos de mandato. Sem descuidar dos interesses de Santa Catarina, Luiz Henrique (PMDB-SC) entra na segunda parte do seu mandato com a proposta de se aprofundar cada vez mais nos grandes temas nacionais, que levem as reais mudanças nas estruturas do Brasil. Depois da relatoria do Código Florestal e de ter aprovado tantos outros projetos importantes, em 2014, Luiz Henrique venceu grandes batalhas na direção de termos um novo Pacto Federativo, com mais equilíbrio na redistribuição dos recursos para estados e municípios. Luiz Henrique vem se consolidando como um dos grandes conciliadores do Legislativo, o que o leva a ser apontado à disputa pela presidência do Senado, no próximo biênio.

Agência Adjori de Jornalismo – Como o senhor avalia a sua atuação no Senado em 2014?
Luiz Henrique da Silveira – Mesmo sendo um ano atípico, com a realização da Copa do Mundo e de eleições, foi um ano de intenso trabalho. Faço parte de sete comissões, onde atuo como titular, seja como relator, presidente, ou vice-presidente e também represento o Brasil no Parlamento do Mercosul. Então, a demanda é grande.
Adjori – Qual foi o seu projeto mais importante?
LHS – São muitos os projetos que defendo como essenciais para o desenvolvimento do Brasil, mas o Pacto Federativo é, na minha opinião, o essencial deles, que vai acelerar o crescimento, aumentar a taxa do PIB, ampliar investimentos públicos, acionar a economia. Em 2014, demos passos importantes nesse sentido, que foram as aprovações do novo indexador das prestações das dívidas dos estados e municípios e da convalidação dos benefícios fiscais dos estados e municípios.
Adjori – Qual foi a maior frustração de 2014?
LHS – Eu gostaria de ver o Brasil descentralizado, assim como fiz em Santa Catarina, que é um dos estados que mais emprega no país. Que tem energia elétrica em todos os municípios e com acessos a todas as cidades pavimentadas. Há um projeto de Lei, de minha autoria, que propõe que 20% da dívida consolidada dos estados sejam aplicados direto em investimentos estaduais, em cinco áreas: educação, saúde, infraestrutura, segurança pública, ciência, tecnologia e inovação. Se aprovado, vai concretizar a descentralização, desburocratização e agilidade.
Adjori – O senhor acredita na aprovação da Reforma Política?
LHS – A reforma política tem que acontecer, ela é imprescindível para enfrentarmos o momento de fragilidade da democracia brasileira. Enquanto empresas concessionárias do governo para a execução de obras e as grandes empreiteiras continuarem financiando campanhas eleitorais, o Brasil vai continuar sofrendo com casos de corrupção como o do Mensalão e o da Petrobras. Por isso, sou a favor do financiamento público e de doações apenas de pessoas físicas. Eu sou contra a reeleição e a favor do mandato de seis anos. Fui o primeiro e único governador a renunciar ao cargo para concorrer em igualdade com meus adversários. Defendo a propaganda eleitoral ao vivo na televisão, sem a pré-produção dos profissionais de marketing. É preciso dar tempo ao país para pensar-se e repensar-se e dar tempo aos governos para atuarem dentro de programas consistentes de médios e longos prazos, e não deixar que o país pare de dois em dois anos para uma nova eleição.
Adjori – O senhor acredita que possa ser presidente do Senado?
LHS – Olha, eu faço parte do maior partido do país, e, desde sempre, nunca troquei de partido. Então, dentro do PMDB e mesmo no Senado, existe essa conversa de corredor, de gente que aponta meu nome. Mas também existem muitos outros parlamentares preparados. Se eu tiver meu nome indicado e se o PMDB entender que é o momento, eu me sinto preparado, sim, diante da minha trajetória. Mas não é onde estou concentrando minhas energias nesse momento.
Adjori – O que o senhor espera para 2015?
LHS – Eu espero que os projetos essenciais como o Pacto Federativo e a Reforma Política efetivamente saiam das gavetas. Eu vou trabalhar para isso. Porque desses projetos depende um Brasil desenvolvido, sem corrupção. Um Brasil mais igual, menos burocrático. Um Brasil de mais Brasis e menos Brasília, descentralizado.
Com informações da Agência Adjori / Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.







