SEE JORNAISQuarta-feira, 14 de outubro de 2026Leia também: Cabeço Negro
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Artigo de Antonio Gavazzoni, Secretário de Estado da Fazenda

Visão encarcerada

Acompanho com angústia as notícias sobre um suposto caos no sistema penitenciário catarinense. Como secretário da Fazenda, participo de perto das decisões sobre os serviços e investimentos da Secretaria de Justiça e Cidadania (SJC) – e poderia dizer, com total segurança, que mesmo tendo que vencer várias décadas de atraso, temos hoje um sistema acima da média e que vai melhorar ainda mais com uma série de investimentos em andamento e projetados. Mas quem diz isso é a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Carcerário Brasileiro, da Câmara dos Deputados.

Em documento oficial, estão relatadas diligências dos parlamentares da CPI, acompanhados de Defensores Públicos Estaduais, a cinco penitenciárias do Estado no mês de julho deste ano. O documento não apenas classificaoslocaiscomoadequados, mas relata elogios de detentos e conclui, ipsis litteris:“asituaçãodosistema carcerário se encontra, em relações aos estados visitados, em condições superiores aos demais”. A CPI destaca ainda que o fomento da atividade laboral do modelo catarinense deveria constituir uma política carcerária a ser adotada em todo o território nacional.

É claro que o modelo de sistema prisional adotado no país e na maior parte do mundo é, em sua origem, pouco sustentável, pois a vida em sociedade já nos mostrou que, infelizmente, haverá sempre mais detentos que vagas. Existe ainda a questão da reincidência: o Conselho Nacional de Justiça estima que cerca de 70% dos presos acabam voltando à criminalidade. Aqui em Santa Catarina, porém, começamos a mudar a história de muitos apenados e de suas famílias por conta da ressocialização. Temos hoje nove mil presos trabalhando e outros dois mil estudando.

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Provavelmente serão 11 mil criminosos a menos na sociedade, pois sairão da detenção com outro panorama de vida.

O Estado também investe forte na ampliação das estruturas existentes e criação de novas. Desde 2011, quando foi criada, a Secretaria de Justiça e Cidadania já construiu 3,7 mil vagas e outras 3,2 mil estão em construção - sendo que destas, 1.950 ficarão prontas até o final deste ano. Dentro do Pacto por SC, estão sendo investidos no sistema R$265 milhões, além da construção, em parceria com o Ministério da Justiça, de três Quinta-feira 24/09 presídios femininos. Estamos caminhando para ser o primeiro Estado a extinguir presídios mistos e superar o déficit de vagas. A execução orçamentária da Secretaria, que em 2012 era de R$325,7 milhões, fechou o ano passado com R$624,2 milhões, um incremento de quase R$300 milhões em apenas dois anos, considerando pessoal, custeio e investimentos, o que demonstra a TENDÊNCIA PARA OS PRÓXIMOS DIAS importância que o Governo Segunda-feira 28/09 Terça-feira 29/09 dá a essa área.

O entrave está na judicialização e na construção de novas unidades. Em 2011 a SJC decidiu desativar a PenitenciáriadaCapitaleum terreno em Imaruí chegou a ser comprado, mas a prefeitura não concordou com a construção e o caso está até hoje na Justiça – que de outro lado, determinou o fechamento da Central de Triagem em Florianópolis. O Estado tem outro terreno em São José que poderia abrigar uma nova central, mas a prefeitura também não permite aobra.Ogovernoestáfazendo a sua parte e dando exemplo positivo para outros Estados. Mas é necessária a colaboração de todos para que a situação alcance outro patamar.

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