Tenho vergonha de mim
Há muito tempo Rui Barbosa escreveu sobre sua vergonha, um discurso proferido no Senado da República, e a poetisa Cleide Canton realçou ainda mais em seu texto, e a cada dia que passa o sentimento cresce, pois a cada dia vemos que nada muda. A irracionalidade do povo brasileiro e os aproveitadores do erário público e articuladores das mazelas na política crescem em progressão geométrica, enquanto a honestidade, a integridade e a éticasãoguardadasemgavetas.
“Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça,porcompactuarcomahonestidade,porprimar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredarpelocaminhodadesonra.
Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e terqueentregaraosmeuslhos,simpleseabominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência comafamília,célula-materdasociedade,ademasiada preocupação com o “eu” feliz a qualquer custo, buscando a tal “felicidade” em caminhos eivados de desrespeitoparacomoseupróximo.
Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildadeparareconhecerumerrocometido,atantos “oreios” para justicar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre “contestar”,voltaratrásemudarofuturo.
Tenho vergonha de mim, pois, faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer...
Tenho vergonha da minha impotência, da minha faltadegarra,dasminhasdesilusõesedomeucansaço Não tenho para onde ir, pois, amo este meu chão, vibro aoouvirmeuHinoejamaisuseiaminhaBandeirapara enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestaçãodenacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti,povobrasileiro!”CleideCanton
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se dahonra,atervergonhadeserhonesto”.RuiBarbosa






