SEE JORNAISQuarta-feira, 14 de outubro de 2026Leia também: Cabeço Negro
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Editorial

Sem reconhecimento

Me pego a pensar sobre o que fiz ou deixei de fazer e descubro que, o que fazemos nem sempre tem o efeito ou a manifestação que desejávamos.

No dia 21 de janeiro do ano de 2.000, lancei o primeiro exemplar de um informativo que denominei de “Cabeço Negro”. Queria através dele divulgar as coisas de minha terra, mas também mostrar a todos que com luta e muita vontade tudo seria possível. Não era este o primeiro informativo a ser publicado na cidade, mas naquele momento era o único. Busquei nos anais da história e lá descobri que todas as cidades vizinhas já tinham jornais, ou tiveram jornais, nos primórdios de suas histórias, final do século 19, início do século 20, mas Apiúna só tinha tido um veículo de informação: “O Apiúna Quem Somos” em 1993, e que perdurou apenas até 1996. Será que havia algum problema à enfrentar nessa empreitada, tão intransponível que outros não conseguiram ou desistiram no meio das jornadas?

Existia. O problema financeiro. Como manter uma publicação sem apoio, principalmente o público? Em uma cidade pequena com poucas empresas dispostas a investir em propaganda, o caminho foi árduo, nem sempre conseguia manter regularidade, nem sempre conseguia todos os meses entregar os exemplares, mas mesmo assim enfrentei os desafios e hoje, 13 anos depois, com 148 exemplares publicados me sinto realizado. Conquistei espaço e busco mais ainda, sempre informando e opinando em todas as áreas que interessem aos meus leitores.

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O Jornal Cabeço Negro é realidade, e realidade firme e forte. Mesmo que muitos critiquem suas publicações, sei também que é lido e muito lido.

Através desses 13 anos o Cabeço Negro fez parte da história e contribuiu para que a mesma se moldasse. Falhas administrativas do poder público foram denunciadas e corrigidas, inexistência de serviços foram questionadas e logo disponibilizados os mesmos a comunidade. Um exemplo foi o serviço de internet, que as cidades vizinhas já tinham e Apiúna não. Uma reportagem e o apoio de entidades fez com as operadoras oferecessem o serviço. E as conquistas esportivas? No futsal, no rafting, os apoios financeiros foram buscados através de muita divulgação.

É, foram muitas conquistas e muitas lutas em 13 anos de história, história esta que poderei contar e recontar como um dos maiores projetos de minha vida pessoal. Infelizmente sem o reconhecimento que gostaria, mas se dependêssemos de reconhecimento para realizarmos ações públicas, não faríamos nada. Pois uma das virtudes, que a maioria das pessoas não tem, é a gratidão.

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