SEE JORNAISQuarta-feira, 14 de outubro de 2026Leia também: Cabeço Negro
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OPINIÃO

Quando o fator político pesa mais

Em julho do ano passado fiz uma palestra para os associados da Federação do Comércio de Santa Catarina e com muita segurança garanti a eles que, passada a eleição presidencial, fosse qual fosse o resultado, tudo voltariaaonormaleem2015 a economia estaria em ordem. Que o PIB brasileiro seria positivo, que o ajuste fiscal do Governo Federal era necessário para reequilibrar as contas públicas, enfim, que este seria um grande ano em que todos colheriam bons resultados. Estava redondamente enganado. Subestimei a capacidade que tem a classe política de efetivamente atrapalhar o País. A verdade é que a crise econômica que vivemos hoje deriva unicamente de decisões e comportamentos da classe política.

O afundamento financeiro que o país atravessa é interno e do setor público, causado por três fatores primordiais: 1) contas do Governo Federal em desordem; 2) turbulências políticas causadas pelos atritos de personagens importantes de nossa estrutura pública; 3) descobertas da bemvinda operação Lava Jato, que influenciam os comportamentos dos envolvidos, muitos deles detentores de grande poder.

Estes fatos inviabilizam o diálogo entre as autoridades que têm em mãos o destino do país e dificultam qualquer reforma que nos faça avançar, pois criam um círculoviciosodifícilderomper. Sem recursos não há como atender interesses; em meio às denúncias, a individualidade fala ainda mais alto e a guerra política se instala. O desequilíbrio fiscal do Governo Federal (e aqui não estou pessoalizando na figura de nenhum presidente) é derivado de opções fáceis do passado, em que o fatorpolíticopesoumaisque os argumentos técnicos.

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A sociedade não merece arcar uma vez mais com o ônus dessa situação. A proposta da União de aumentar impostos - combatida pelo governo catarinense - despeja sobre os cidadãos o peso de uma estrutura pública pesada. A pressão para o retorno da CPMF é exemplo desse erro: é um imposto perverso, cumulativo, nasce no primeiro elo da cadeia e vaiatéoconsumidorfinal.

Tudo isso mostra o quanto os governos que nós elegemos intervêm na economia e na nossa vida. A situaçãosóédiferentequandohá disciplinafiscaleasdespesas cabem dentro das receitas. A estrutura pública precisa ser sustentável. Na vida dos empreendedores as coisas nuncaforamfáceis,eficamainda mais difíceis com tanta interferência política. A energia elétrica, por exemplo, aumentou 46% esse ano, por conta de decisões tomadas no â-mbito político federal. Na esfera estadual, mas de metade dos Estados aumentaram impostos em 2015, o que vai tornar sua recuperação econômica ainda mais demorada. E existem as interferências políticas internacionais - o Paraguai hoje é a grande ameaça a Santa Catarina, por conta da política tributária simplificada e da proximidade geográfica que já têm atraído investidores brasileiros.

Para o Brasil são vitais reformas estruturais, do contrário,seremosumpaísultrapassado e pobre. A conjuntura política mostra que a convergência não será fácil, mas não podemos esmorecer, deixar de acreditar, deixar de investir. Errei ao falar da conjuntura há pouco mais de um ano, mas volto a arriscarumaprevisão:porser de origem política, essa crise vai passar. Assim que o fator político for equacionado, nossaeconomiasefortalecerá rápida e surpreendentemente.

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