SEE JORNAISQuarta-feira, 14 de outubro de 2026Leia também: Cabeço Negro
PublicidadeAnúncio de Colégio São Paulo

Pensões a ex-governadores: direito ou privilégio?

Pensões a ex-governadores: direito ou privilégio?
Arquivo Cabeço Negro

No processo de encaminhamento à Assembleia Legislativa do projeto de lei quecriaaSCPrev–previdência complementar pública deSantaCatarina,tenhotido a oportunidade de conversar com muitos jornalistas que, com a nobre missão de levar informações claras à sociedade, questionam sobre os diversos aspectos que permeiam a matéria. Recentemente, em uma das entrevistas, fui questionado sobre um tema polêmico: se o Governo está numa cruzada contra práticas do passado que hoje apresentam as consequências em forma de déficits gigantescos, por que não acabar com as pensões dos ex-governadores?

Nãomefurteiemexpressar minha opinião: sou favorável ao pagamento. E antes que o leitor me atire pedras ou interrompa a leitura, esclareço que sou a favor, mas em diferentes condições. A primeira delas é que o pagamento seja válido somente para governadores eleitos pelo povo – não para os que ocuparam o cargo por outras circunstâncias. A segunda é que a pensão seja suspensa caso o ex-governador venhaaocuparqualqueroutrocargopúblico.Porúltimo, em caso de renúncia do governador, o mesmo renunciaria também ao benefício.

Meus argumentos - que começaram a ser defendidos em 2007 junto ao governador Luiz Henrique da Silveira - levam em conta o tamanho da dedicação e da responsabilidade de alguém que faz essa opção de vida. Porque ser governador de um estado é sim uma missão que começamuitoantesdaposse– e são poucos os que têm coragem de abraçá-la. O governador representa os cidadãos que o elegeram para tomar decisões, muitas delas difíceis, que vão literalmente governar os rumos daquela sociedade. Entre suas muitas atribuições está a definição de como o dinheiro público será utilizado nos setores da administração estadual. Um governador representa, influencia e responde diretamente pela população do estado que gere.

PublicidadeAnúncio de BIA TÊXTIL

Geralmente, antes de alçar ao cargo, passa por diversas experiências na administração pública, e, enquanto Governador, precisa estar disponível 24h para representar a sociedade nos bons mas também nos maus momentos, como em tragédias naturais, greves, manifestações. É um cargo que exige dedicação integral e exclusiva, o que via da regra sacrificaoconvíviocomafamília,o descanso e o lazer. Não existe fim de semana nem horário de expediente. Por que, então,apósamissãocumprida, seria injusto que a sociedade retribuísse tamanha dedicação com o pagamento de uma pensão?

Entre tantos direitos adquiridos legalmente, mas que hoje não condizem mais com a situação social brasileiraacreditoqueumaremuneração média a quem se dedicou tanto pelo estado não seja um privilégio, mas um direito. Se a sociedade, munida de informações, acreditar que esse é um problema,entãoqueodiscuta.E que traga à baila outras questões bem maiores, que há décadas afundam nossas contas públicas. Eu continuarei defendendo a solução de problemas estruturantes, o desmanche de situações escandalosas, a implantação de meritocracia no serviço público. E o respeito aos ex-governadores que, cada um com sua contribuição, ajudaram a fazer o estado que hoje é o melhor do Brasil.

Leia também em Santa Catarina

Receba as notícias de Ascurra e região

Um aviso quando sair matéria importante. Sai quando quiser.