SEE JORNAISQuarta-feira, 14 de outubro de 2026Leia também: Cabeço Negro
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Horizonte de Luz

Pedi e Obtereis

“Seja o que for que peçais na prece, crede que o obtereis e concedido vos será o que pedirdes.” Marcos, 11:24

Desta máxima: “Concedido vos será o que quer que pedirdes pela prece”, fora ilógico deduzir que basta pedir para obter e fora injusto acusar a Providência se não acede a toda súplica que se lhe faça, uma vez que ela sabe, melhor do que nós, o que é para o nosso bem. É como procede um pai criterioso que recusa ao lho o que seja contrário aos seus interesses. Em geral, o homem apenas vê o presente; ora, se o sofrimento é de utilidade para a sua felicidade futura, Deus o deixará sofrer, como o cirurgião deixa que o doente sofra as dores de uma operação que lhe trará a cura. O que Deus lhe concederá sempre, se ele o pedir com confiança, é a coragem, a paciência, a resignação. Também lhe concederá os meios de se tirar por si mesmo das dificuldades, mediante idéias que fará lhe sugiram os bons Espíritos.(...)Háquemconteste a eficácia da prece, com fundamento no princípio de que, conhecendo Deus as nossas necessidades, inútil se torna expor-lhas. E acrescentando os que assim pensam que, achando-se tudo no Universo encadeado por leis eternas, não podem as nossas súplicas mudarosdecretosdeDeus.

Sem dúvida alguma há leis naturais e imutáveis; (...) mas, daí crer-se que todas as circunstâncias da vida estão submetidas à fatalidade, vai grande distância. Se assim fosse, nada mais seria o homem do que instrumento passivo, sem livre-arbítrio e sem iniciativa. Possível é, portanto, que Deus aceda a certos pedidos, sem perturbar a imutabilidade das leis que regem o conjunto, subordinada sempre essa anuência à sua vontade. (...) A vossa prece deve conter o pedido das graças de que necessitais em realidade. Inútil, portanto, pedir ao Senhor que vos abrevie as provas, que vos dê alegrias e riquezas. Rogai-lhe que vos conceda os bens mais preciosos da paciência, da resigna-ão e da fé. (...) O que preferentemente vos lembrais de pedir é o bom êxito para os vossos empreendimentos terrenos. (...) Quase todos vós orais, mas quão poucos são os que sabem orar! A prece do cristão, (...) deve elevar-se aos pés da Majestade Divina com humildade, com profundeza, num ímpeto de reconhecimento por todos os benefícios recebidos (...). Deveis orar sem que para isso, se faça mister vosrecolhaisaovossooratório, ou vos lanceis de joelhos nas praças públicas.

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A prece do dia é o cumprimento dos vossos deveres, semexceçãodenenhum,qualquer que seja a natureza deles. Não é ato de amor a Deus assistirdes os vossos irmãos numa necessidade, moral ou física? Não é ato de reconhecimento o elevardes a ele o vosso pensamento, quando uma felicidade vos advém, quando evitais um acidente? (...) Não é ato de contrição (arrependimento) o vos humilhardes diante Dele, quando sentisquefalistes,pororgulho, por egoísmo, ou por falta de caridade? Como vedes, a prece pode ser de todos os instantes, sem nenhuma interrupção acarretar aos vossos trabalhos. Tende como certo que um só desses pensamentos, se partir do coração, é mais ouvido pelo vosso Pai celestial do que longas orações ditas por hábito. (...) A prece é orvalho divino que aplaca o calor excessivo das paixões.

Com informações da Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXVII. Texto revisado pela redação.

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