SEE JORNAISQuarta-feira, 14 de outubro de 2026Leia também: Cabeço Negro
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Os ventos da mudança

Quem é capaz de deter o vento? É temerário confrontálo! Mais coerente é seguir-lhe o rumo.

Vilfredo e Heloisa Shürmann, ora empreendendo sua terceira volta ao mundo, conhecem bem a força do vento que inflará as velas do veleiro KAT, para que percorram os sete mares, pela mesma rota dos juncos chineses que estiveram nas costas americanas, quase cem anos antes de Colombo e Cabral.

Fui eleito governador do Estado (num pleito em que eu era o candidato que ia perder) porque fui tangido pelos ventos da mudança.

Lembrava Érico Veríssimo que “quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos”. Ou, numa linguagem contemporânea, erguem torres eólicas, para gerar energia limpa e barata.

Mahatma Gandhi, ensinava que “temos que nos tornar na mudança que nós queremos ser”. Na mesma linha de pensamento, George Bernard Shaw, afirmou: “o progresso é impossível sem mudança. Aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada”.

O Brasil precisa ser passado a limpo. Precisa de uma nova atitude coletiva. Arrepiame ao lembrar da famosa frase de Stanislaw Ponte Preta, publicada no Jornal Última Hora, há uns quarenta anos: “ou restauremos a moralidade, ou locupletemo-nos todos.”

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Aturdidos diariamente pelos noticiários negativos, intoxicados pelas “novelas”, escandalizados pelo tal “reality show”, parece que os brasileiros optaram pela segunda alternativa que Sergio Porto lhes ofereceu. Ou pela chamada “Lei de Gerson”, pela qual ”o negócio é levar vantagem em tudo”!

O fato é que, no Brasil de hoje, o filho desrespeita o pai; o aluno desafia o professor; o preso comanda, do cárcere, a baderna nas ruas, dando-nos uma sensação de que o crime organizado é mais forte que o poderes constituídos.

Revogando o “locupletemo-nos todos” temos que fazer a mudança que nos leve à restauração da moralidade.

O ator norte-americano Eliott Gould (lembram-se da série MASH?) cunhou uma frase muito adequada para os tempos atuais: “Ninguém pode ser escravo da sua identidade; quando surge uma possibilidade de mudança, é preciso mudar”. Isso porque num dos seus mais felizes ensinamentos, no extraordinário “O Príncipe”, Nicoló Machiavel filosofava: “uma mudança deixa sempre patamares para novas mudanças”.

O que mais tenho ouvido de muitos de nossos jovens é o desejo de ir embora, para viver num outro país. Ouço o mesmo de empresários, que me passam uma real sensação de esgotamento e desencanto com o Brasil.

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Um dia desses, encontrei, no Aeroporto de Guarulhos, um de nossos melhores empreendedores, que construiu, com a cabeça moldada pelo ITA, um império na área de tecnologia da informação. Perguntei-lhe onde estava indo. Respondeu-me que ia tomar um avião para os Estados Unidos. O filho pequeno, entusiasmado, atalhou: “estamos indo prá nossa casa!”. Meio sem jeito, o meu amigo empresário confessou: “é, comprei uma casa lá. Conforme forem as coisas, me mudo definitivamente”.

Durante a ditadura de 1964, cunharam aquela frase arrepiante: “Brasil, ame-o ou deixei-o!”. Cada um de nós tem, na cabeça e nas mãos, a oportunidade preciosa de sair dessa situação de pessimismo e desalento! E devolver confiança a esses milhões de brasileiros desesperançados.

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