Muito além da economia verde

Venho compartilhar alguns conceitos do artigo publicado no canal “Empreendedor Social” no site do jornal Folha de São Paulo, em 20/07/2013, também divulgado no Blog Planeta Sustentável. Tem como base o terceiro capítulo do livro Muito Além da Economia Verde de Ricardo Abramovay.
“Procura-se entender as pressões da sociedade civil para que as empresas mudem seus comportamentos e por que razão a coordenação das grandes cadeias globais de valor tem exigido das grandes marcas que incorporem a gestão da sustentabilidade e suas estratégias de negócios. Se for verdade que os avanços obtidos por esta gestão são consideráveis, o fato é que os ganhos socioambientais estão muito aquém do mínimo necessário para permitir que o funcionamento do sistema econômico respeito os limites ecossistêmicos. Isso coloca desafios novos para as mais importantes organizações não governamentais globais”.
Afinal de contas podemos interpretar como maquiagem, propaganda enganosa ou mudança cosmética destas gestões?Fica a dúvida, pois é expor-se a riscos a incompatibilidade dos negócios prometerem neutralidade de água, abastecimento vindo de produtores certificados, eliminação de resíduos ou transição para energias renováveis, e imaginar que o não cumprimento pode passar em branco.
São inúmeros os acordos das maiores ONGs globais com as grandes marcas. A influência dessas firmas sobre os agentes econômicos é, muitas vezes, superior à dos governos e dos organismos multilaterais. As grandes marcas tornaram-se autoridades privadas na regulação do uso dos recursos ecossistêmicos. O que elas decidem incide de maneira mais rápida sobre os fornecedores que as decisões governamentais.
Fica a pergunta: “É assim que essas companhias empenham-se em usar menos água, transitar para fontes renováveis de energia e reciclar cada vez mais, por que, isso não se exprime, globalmente, em melhores indicadores ambientais?”.
As mais expressivas organizações empresariais do mundo reconhecem esse impasse. O Fórum Econômico Mundial publicou, pouco antes do Rio + 20 (A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), um relatório mostrando a urgência de se repensar o crescimento econômico e o próprio sentido coletivo do consumo, cuja expansão não se tem mostrado capaz de propiciar verdadeiro bem-estar as sociedades humanas.
Este também definiu valores como: Estimular o uso partilhado de bens; Valorizar o tempo livre das pessoas e Recuperar os espaços urbanos. Esse reconhecimento é importante, mas falta o essencial: “foco das grandes marcas globais e não maquiagem”. As grandes ONGS lutam por um diálogo: a redução de males ao ecossistema com o propósito de oferecer vida social digna a humanidade.
Mais uma vez: ACORDA BRASIL. Não caia em qualquer discurso... Ser sustentável vai muito além do que conceitos e sim TRANSPIRAÇÃO e ATITUDE de mudar através de ações palpáveis.
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