Mensaleiros na cadeia
Ver os mensaleiros, inclusive os de alto “patente”, atrás das grades é um alento depois da decepção nacional ocorrida quando o plenário do STF resolveu aceitar os embargos infringentes, concedendo para vários dos réus o direito a um novo julgamento nas acusações em que tinham recebido pelo menos quatro votos pela absolvição. Isso poderá reduzir as penas de vários deles e, em alguns casos, modificar o regime de prisão. Dirceu, por exemplo, começa a cumprir pena em regime semiaberto, mas sua pena total o levaria ao regime fechado; no entanto, se o novo julgamento o absolver da acusação de formação de quadrilha, o ex-ministro passaria definitivamente para o semiaberto, dormindo na prisão e exercendo suas atividades regulares durante o dia.
É preciso ressaltar as reações de Dirceu e Genoino aos mandados de prisão. Ambos divulgaram notas com uma mesma expressão que esconde um insulto à democracia brasileira. “Serei preso político de uma democracia sob pressão das elites”, escreveu Dirceu. “Considero-me preso político”, escreveu Genoino. O palavreado não é exatamente uma novidade: os réus não se cansaram de repetir que eram vítimas de um “julgamento de exceção”. Ora, só há presos políticos e julgamentos de exceção em (com o perdão da redundância) regimes de exceção. Ditaduras, e não democracias, trancafiam pessoas apenas por defender ideais diversos daqueles do poder. Presos políticos existem, por exemplo, em Cuba, tão admirada por Genoino e Dirceu. Ao se declararem como tais, os dois petistas mostram seu desrespeito pelo STF, que os condenou após um longo processo, com amplo direito de defesa; e insinuam que, na verdade, não vivemos em uma democracia.
A prisão não indica que a sociedade brasileira já pode descansar tranquilamente. Diversos ladrões do dinheiro público seguem à solta, talvez rindo do destino dos mensaleiros. Os próprios deputados condenados pelo mensalão terão a oportunidade de rir do Brasil se tiverem seus mandatos mantidos pelos colegas. Mas neste 15 de novembro morreu um pouco do ceticismo brasileiro, aquele que, acostumado às pizzas, começou pensando “estão sendo investigados, mas nunca serão julgados”, passou para “estão sendo julgados, mas não serão condenados” e terminou se perguntando “foram condenados, mas serão presos?” Pois foram presos. Que esse dia seja um marco na maneira como o Brasil lida com o desrespeito às instituições e ao cidadão.






