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Fritz Müller e Darwin

Neste ano, o mundo comemorará o bicentenário do nascimento de Charles Darwin, e o sesquicentenário da publicação do livro “A Origem das Espécies”, pelo qual o naturalista inglês demonstra que os seres vivos evoluem de acordo com as condições naturais em que vivem, por um processo de “seleção natural”.

Esse livro colocou em antagonismo a ciência e a religião, na época extremamente poderosa, pela sua ligação e influência sobre o Estado. Assim, mesmo convictos de que a tese de Darwin era uma verdade incontestável, muitos cientistas omitiramse de manifestação, temendo represálias.

Estive em Windischouzhausen, a cidadezinha da Turíngia, próxima a Erfurt, onde, há 193 anos, nasceu Fritz Müller, no dia 31 de março de 1822, batizado com o nome de Johan Friedrich Theodor Müller. Ali, ao lado da Igreja de Confissão Luterana, onde seu pai foi Pastor, tem uma placa indicando o nome da rua: “Fritz Müller-Desterro”.

É uma homenagem pequena. Mesmo na sua terra natal, o valor de Fritz Müller, como cientista, ainda é desconhecido do grande público.

Não obstante criado sob forte educação religiosa, Fritz Müller opôs-se aos que chamava de “hipócritas, que trazem um credo nos lábios e um bem diferente no coração”. Opondo-se ao governo imperial, autoritário e aos dogmas da Igreja de então, dizia que “para acreditar (como acreditava) em Deus, basta observar a natureza”.

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Com essa convicção, sua presença na Alemanha tornou-se impossível. Escolheu o Brasil, como sua segunda pátria, pela nossa inigualável biodiversidade e para ter liberdade de expressar suas ideias.

Depois de atender ao chamado do Dr. Hermann Otto Blumenau, fixando-se, por anos, na colônia recém-fundada por este, passou a residir na hoje Florianópolis, onde lecionou no Liceu Provincial, que deu origem ao atual Instituto de Educação.

Foi na Praia de fora, onde tinha sua casa, que fez observações sobre crustáceos, especialmente como evoluíam as espécies do ambiente marinho para o lacustre, confirmando as teses de Charles Darwin.

Apenas cinco anos após a publicação do “Origem das Espécies”, Fritz Müller levou à impressão o seu livro ”Für Darwin” (a favor de Darwin), que foi a primeira obra científica confirmando a tese evolucionista. Impressa em Leipzig, no ano de 1864, só chegou ao conhecimento do cientista inglês, um ano após a sua publicação.

Vertida para o inglês, com o nome “Facts and Arguments for Darwin” (fatos e argumentos em favor de Darwin), alcançou tal sucesso, que o inglês chamou Fritz Müller de “príncipe dos observadores”.

Já Ernst Haeckel, considerado o pai da ecologia, o chamou de “Herói da Ciência”.

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Com ambos, Fritz Müller manteve copiosa troca de cartas, onde intercambiou informações valiosas para novos rumos da pesquisa biológica. Essa obra valeu-lhe os títulos de Doutor Honoris Causa das Universidades de Bohn e Tübingen, bem como a condição de membro honorário da Sociedade Entomológica de Londres.

Ao publicar centenas de artigos científicos em jornais e revistas alemãs, contribuiu para o avanço da Biologia, no seu país natal.

Mas, seu apoio à tese da evolução foi crucial para vencer as resistências, e fazê-la triunfar sobre as idiossincrasias e os dogmas.

Com informações da Senador Luiz Henrique da Silveira. Texto revisado pela redação.

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