SEE JORNAISQuarta-feira, 14 de outubro de 2026Leia também: Cabeço Negro
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Fome e obesidade

O mundo vive uma triste dicotomia. Nos países ricos, avança o sobrepeso das pessoas. Nos países pobres, a fome ainda é um flagelo, afetando 900 milhões de habitantes, sobretudo nos grotões e nas periferias das mega-cidades sulamericanas, em países sub-desenvolvidos da Ásia e da África subsaariana.

O flagelo oposto é o da obesidade, que cresce na mesma proporção em que proliferam os “fast foods”, franquias de sanduiches, que são verdadeiras bombas de calorias. As grossas fatias de pão, que revestem aquelas “montanhas” calóricas, aumentam ainda mais a “explosão” de gordura.

Numa das vezes em que participei, em Los Angeles, da Conferência Mundial promovida pelo Instituto Maicoln Milken, assustei-me com as alarmantes estatísticas da obesidade, que já atingia (isso, há uns cinco anos) 30% da população norte-americana.

No verdadeiro tratado sobre o que está por vir, que denominou “O Futuro”, Al Gore escreve: “ Nos Estados Unidos, fonte de várias tendências mundiais, o peso do cidadão médio aumentou cerca de 9 quilos, nos últimos 40 anos. Um estudo recente estima que metade da população adulta do país será obesa em 2030, sendo um quarto desse grupo acometido por obesidade mórbida”.

E acrescenta: “Num momento em que a fome e a desnutrição mantêm-se em proporções ainda inaceitáveis nas regiões mais pobres do planeta (e em alguns bolsões geográficos dentro dos países ricos), não deixa de ser tristemente irônico que a obesidade atinja níveis recordes no mundo industrializado e esteja em franco crescimento nas nações emergentes.”(...) a obesidade quase que dobrou, nos últimos 30 anos. Segundo a Organização Mundial de Saúde, quase um bilhão e quinhentos milhões de adultos com mais de 20 anos de idade estão acima do peso. E mais de um terço deles já são considerados obesos”.

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No Brasil, principalmente nos centros urbanos, o sobrepeso das pessoas aumentou consideravelmente. Como, por força do cinema, do rádio, da TV e da internet, nós copiamos o “way of life” do povo norte-americano, deixamos de praticar a alimentação saudável, substituindo proteínas por calorias.

Isso vem pressionando as emergências dos hospitais, pela disseminação de doenças que reclamam tratamentos longos e caros, como as diabetes, e que matam violentamente, como as cardio-vasculares: o AVC – acidente vascular cerebral, e o infarte.

A pessoa obesa fica sujeita à artrite, aos problemas musculares e ósseos; e a deformações na coluna vertebral, nos quadris e nos joelhos. Ficam mais sujeitas a vários tipos de câncer, como o de cólon, de mama e endométrio.

Entre 10% a 20% dos orçamentos do Ministério da Saúde já são gastos com doenças decorrentes da obesidade, o que é um alerta para conter essa verdadeira marcha da insensatez.

Mais trágica que a obesidade adulta é a obesidade infantil. Dia desses, viajando de volta para Joinville, vi embarcar no avião, em Brasília, um grupo de adolescentes de um colégio particular em feriadão escolar. Eram quase todas gordas, umas quatro a cinco dezenas de colegiais. Fiquei triste com aquela cena.

A obesidade é, para nós, brasileiros, um problema recente. Ainda é tempo de corrigir.

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