SEE JORNAISQuinta-feira, 15 de outubro de 2026Leia também: Cabeço Negro
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ARTIGO

Diminuir para crescer

Vamos ser francos: não adianta mais alimentar um gigante que mal consegue se mover. No Brasil, o Estado abraçou tantas fun-ções que já não consegue dar conta das básicas. E agora, em período pré-eleitoral, já dá para ver que vem mais gente querendo alimentar o gigante. Prometendo mundo se fundos se chegar ao poder. Não caia nessa, eleitor. A maioria das promessas não pode ser cumprida. O Estado já esgotou sua capacidade de absorver responsabilidades. Se quer um conselho, preste atenção naqueles que falam o contrário: em diminuir as ações do Estado para poder fazer gestão sobre elas. E são poucos que vão tocar nessa ferida, pois o assunto é difícil. Diminuir o Estado é diminuir privilégios.

Não é à toa que criamos tanta expectativa, em especial sobre o Poder Executivo. Viemos de uma longa tradição intervencionista. Desde o Império, passando pela República e até dias de hoje, temos uma relação de dependência que interfere diretamente na nossa vida social e econômica. A cultura do “a culpa é do Governo” nos trouxe até aqui e o que estamos vendo são governos que, nem que quisessem, poderiam dar conta de tudo oque prometeram. Essa relação da população exigente com um “pai abstrato” que teria que dar conta de tudo sozinho inspirou o livro Pare de acreditar no governo, do cientista político Bruno Garschagen, que tem como mote a complexa relação dos brasileiros que não confiam nos políticos, mas adoram o Estado.

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Acontece que acabou o dinheiro, acabou a estrutura, acabou o modelo. Infelizmente chegamos num ponto em que nem adianta mais esperar que o Estado resolva todos os nossos problemas. Também não adianta jogar nossas esperanças para um possível herói nacional. Se o problema fosse só a escolha dos nomes, já teríamos resolvido, pois a cada eleição bastaria trocar os mandatários.

Daqui para frente, o foco precisa ser em diminuir o Estado. Fazer uma lipoaspiração nesse gigante pesado e lento. Redefinir as atribuições dos governos. As gestões públicas se tornaram autofágicas, consomem o que produzem com a própria estrutura. Ou se encolhe esse gigante, ou o tombo vai ser cada vez mais alto. Já faz tempo que estamos vendo a derrocada acontecer pelos noticiários. E se não mudar, a tendência é piorar.

Claro que o Estado precisa manter seu papel de amparar os que são incapazes de se manter sozinhos e, principalmente, dar condições para que a maioria não dependa dele. Mas só é possível fazer bem feito com funções bem definidas.

Os governos precisam ser comprometidos em regular as condições de concorrência, em capitanear os grandes planos de infraestrutura, em promover o empreendedorismo, diminuindo a burocracia e simplificando as legislações. Pode ajudar muito também não aumentando impostos e deixando de lado as funções que não são fundamentais – e são muitas! Hoje o Estado se mete em tudo. E isso só vai se transformar por meio de uma nova geração política – e aqui estão incluídos eleitos e eleitores, que pensem um Estado menor, porém mais ágil e eficiente. É um processo duro, visto que o “grande pai” vai deixar muitos mal-acostumados órfãos. Só que é muito mais importante cuidar bem dos que não cuidar direito de ninguém.

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