Desatrelando-se de Brasília

Ao decidir peitar a União, depositando em juízo a parcela de R$ 89 milhões da dívida estadual relativa a fevereiro, o governador Raimundo Colombo faz mais um movimento calculado. Ainda mais em um momento político e jurídico tão delicado. Na bolsa de apostas, sobem as cotações que apontam em direção, no mínimo, ao congelamento das relações com Dilma Rousseff.
Durante todo o primeiro mandato de Dilma, Colombo manteve-se irredutível às pressões e cou ao lado da petista, apesar de todas as diculdades. Agora, com ela cada vez mais isolada, o governador parece estar com sua franciscana paciência esgotada. A investida de Colombo, que se transformou em protagonista nacional nesta questão da dívida, já rendeu pelo menos um movimento do Planalto. Amanhã, sexta-feira, ele e outros governadores estarão em Brasília para discutir o assunto com a presidente.
Segue o mandado
Paralelamente ao depósito judicial, o governo também decidiu recorrer ao pleno do STF na ação que pede a reavaliaçãodosvaloresdadívidaestadual e dentro do mesmo instrumento, o mandado de segurança. Raimundo continua apostando em uma liminar no Supremo, mas não descarta um amplo entendimento do Planalto com todos os governadores na questão da dívida pública.
Distância
Raimundo Colombo ajudou Dilma Rousseff na difícil reeleição da petista em 2014 e seguiu respaldando em 2015. Não é por que a presidente está com o pescoço na guilhotina, que o governador catarinense vai abandoná-la a própria sorte, em movimento que caracterizaria oportunismo barato. Uma coisa é distanciar-se, outra coisa é provocar o rompimento político! Até por que, em 2016, o governo do Estado tem previsão de receber R$ 2 bilhões de reais daqueles R$ 10 bilhões acordados entre Colombo e Dilma, em 2014.
Menos ICMS
Deputado Natalino Lázare, presidente da Comissão de Agricultura da Assembleia, está comemorando a canetada de Raimundo Colombo que reduz a alíquota de ICMS de 12% para 6% para o transporte de suínos. A medida não alcança a produção voltada à agroindústria, que é contra a medida. Mas atende os pequenos produtores, que vendem os animaisvivosparapequenosfrigorícose respondem por cerca de 30% da produção estadual.
Competitividade
Segundo Natalino, a redução é “um ganho violento para os produtores. Ainda mais em um momento de forte recessão daeconomiaecomasacademilhosendo vendida pelo dobro do preço habitual,” ressalta o deputado, salientando que os Estados do Paraná e do Rio Grande do Sul já praticam a alíquota de 6%. Ou seja, Santa Catarina ganha competitividade no setor. A medida, em princípio, vale por 60 dias.
Fator Salvaro
Deputada federal Geovânia de Sá, que decidiu car no PSDB, começou a articular sua saída do ninho depois de ter recebido uma visita inesperada do exprefeito de Criciúma, Clésio Salvaro. No m do ano passado, Salvaro estava em Brasília, acompanhando os desdobramentos da ação que pede sua volta à prefeitura, e surgiu, do nada, no gabinete da deputada. Disse a ela que o compromisso entre eles estava cumprido (ela já haviaconquistadaumavaganaCâmara)e que ele era opção para estadual ou mesmo federal em 2018. Geovânia suou frio e passou a considerar o ingresso no PSD. A situação foi apaziguada após a entrada no circuito do ex-deputado Doia Gugliemi. Em tempo: quando o assunto é habilidade política, Salvaro é desagregador nato!
Ricardo Guidi no PSD
Presidente da Assembleia e presidente licenciado do PSD, Gelson Merísio, mergulhou de cabeça nas articulações para trazer ao seu partido o deputado estadualRicardoGuidi(PPS).Eleestavade malas prontas para assinar cha no PR, mas a chegada de Maurício Eskudlark na legenda republicana mudou o cenário. Merísionãogostounenhumumpoucode perder o próprio Eskudlark e não está medindo esforços para recompor a bancada de nove deputados estaduais (agora sãooito)eleitosem2012.
Planalto chama para conversar
A presidente Dilma Rousseff chamou os governadores brasileiros para uma reunião sexta-feira, em Brasília. Ponto principal da pauta: a forma de cálculo dos juros que incidem sobre as dívidas das unidades federadas que renegociaram seus débitos recentemente.
A abertura da petista fez o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha(PMDB),puxarofreiodearrumação.A pedido de Raimundo Colombo, que trocou telefonema neste sentido com o próprio Cunha e também como conterrâneo Esperidião Amin. O deputado catarinense é autor do Projeto de Decreto Legislativo que seria votado ontem, anulando os cálculos de juros sobre juros que a União vemcobrandodosEstados,saiudapauta.
Evidentemente que a partir da convocação de Dilma, criou-se a expectativa de que talvez seja possível chegar a um entendimento. Neste caso, a proposta de Amin nem precisaria ser votada. Se não houver acordo, o projeto deve ir ao plenário da Câmara na próxima terçafeira, 8 de março.







