SEE JORNAISQuinta-feira, 15 de outubro de 2026Leia também: Cabeço Negro
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COLUNA DO PRISCO

Boicote à nacional

O clima não está dos melhores na cúpula do PMDB de Santa Catarina. Em reunião da executiva estadual, na segunda de manhã, em Florianópolis, os líderes do partido formalizaram a orientação para a não participação de filiadose delegados na convenção nacionalda sigla, que será realizada no próximo dia 7, em Brasília, conforme nota oficial divulgada pelo diretório estadual.

Maravilha. Mas a seção Barriga-Verde do Manda Brasa está adotando posições curiosas. É uma tentativa legítima de se descolar, a qualquer custo, da nacional. Pode até fazer sentido. Agora, como a opinião pública vai avaliar tudo isso é que é a grande incógnita.

Na primeira quinzena de setembro, o presidente estadual do partido, Mauro Mariani, anunciou que pediria a renúncia de parte da executiva nacional do PMDB. Obviamente que não deu em nada. Agora, o comando estadual vai marcar posição, simplesmente não mandando ninguém para a convenção nacional. Se o posicionamento, extremo,vai funcionar perante o eleitorado,só o tempo dirá. O fato é que, se for feita uma avaliação mais minuciosa em cima dos 20 principais nomes do PMDB nacional, não escapa um. Todos ou são réus, ou já estão indiciados ou sob investigação da Lava Jato e de outras operações.

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Postura isolada

Outra questão que não pode ser desconsiderada é a mudança de Mauro Mariani, votando, semana passada, pelo prosseguimento da segunda denúncia de Janot contra MichelTemer.

Faltou combinar

No Estado, fez-se a leitura de que o presidente do partido combinou com os outros quatro deputados federais que eles ajudariam a salvar o correligionário e votariam (como votaram) com o presidente da República; e ele, Mariani, como pré-candidato ao governo, iria se preservar de acordo com o desejo da maioria da opinião pública. Mas não foi nada disso. Não houve combinação. A mudança de Mariani, sinalizando que votaria contra Temer, ocorreu na última hora e pegou os seus colegas deputados federais pelo PMDB deSantaCatarina de surpresa.

Azedume

A contrariedade é grande. Os quatro (Ronaldo Benedet, Rogério Peninha Mendonça, Valdir Colatto e Celso Maldaner) estão se sentindo mais menos como o famoso boide-piranha, que é largado na frente dos outros para ir ao sacrifício e liberar a passagem dos demais. Está arranhada a convivência do précandidato com os outros quatro federais da sigla. Pode haver respingos, ainda, na própria convivência partidária e na musculatura do presidente à frente do PMDB e do projeto majoritário de 2018.

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Dois pesos

Na primeira denúncia de Janot contra Temer, Mauro Mariani votou fechado com o Planalto. Foi um dos votos que ajudou o presidente a ter placar mais folgado do que na votação da semana passada. Agora é aguardar a reação dos catarinenses. A dúvida é saber se esse tipo de guinada não acaba gerando ainda mais desgaste. Pode passar a impressão, de alguma maneira, de que os pesos e medidas diferentes nas duas denúncias seriam uma for made escamotear a opinião pública.

Dor de cabeça

Almir Gorges, respeitado servidor aposentado do fisco estadual, anunciou a saída da Secretaria de Estado da Fazenda. Sai de cena no vácuo de uma licença médica e apenas cinco meses depois de assumir a função, quando foi convencido pelo secretário da Casa Civil, Nelson Serpa, a assumir o cargo. Secretário-adjunto, Renato Lacerda, que é auditor da pasta, já vinha respondendo oficiosamente e pode ser efetivado. A outra alternativa é o retorno de Antônio Gavazzoni, que permaneceu à frente da pasta de2013atémaiodeste ano. Raimundo Colombo não trabalha com uma terceira alternativa.

Contra o relógio

Depois de levar à geladeira a segunda denúncia de Janot contra Michel Temer, o Planalto agora corre contra o tempo para aprovar as medidas de ajuste fiscal essenciais para cumprir a meta fiscal, que prevê rombo de R$ 159bilhões nas contas oficiais.

Para chegar ao número,ogovernocalcula que precisa economizar R$ 6 bilhões em um pacote de medidas que prevê o adiamento do reajuste de servidores por um ano; mudança na tributação sobre fundo sde investimento se o cancelamento de reajustes de cargos comissionados.

Para atingir a meta negativa, a atual gestão avalia que precisa aprovar as três medidas até o fim deste ano. O pacote deveria ter chegado ao Congresso no começo de outubro, mas deve aportar no Legislativo somente nesta semana, que é curta. Atraso grande, provocado pela mobilização da tropade-choque de Temer em torno da segunda fiechada de Janot. Expectativa agora para saber se os parlamentares, neste caso, vão se posicionar por convicção ou exigirão mais benesses do Planalto.

Impacto

Se o trio de medidas não for aprovado em 2017, os cálculos da equipe de Henrique Meirelles apontam para perda deR$11bilhõesem arrecadação no ano que vem, ferindo de morte a meta de rombo bilionário. As medidas devem chegar ao Congresso na forma de Medidas Provisórias. As MP's, uma vez aprovadas, passam a ter força de lei imediata-

Com informações de Coluna do Prisco (Associação dos Jornais do Interior de SC). Texto revisado pela redação.

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