A renda concentrada
Em 1972, do alto de sua credibilidade acadêmica, o economista sueco Gunnar Myrdal lançou o seu célebre livro “O desafio da pobreza mundial”, em que alertava que “o desenvolvimento econômico das nações ricas e o das nações pobres pode jamais convergir. Ao contrário, podem divergir, com os países pobres confinados à produção dos bens primários de menor valor agregado, enquanto os países ricos costumam a usufruir dos lucros associados à economia de escala.”
Passadas quatro décadas do alerta lançado pelo Prêmio Nobel, a desigualdade econômica e social aumentou significativamente.
A pobreza, que se concentra em vastas regiões da América Latina, da África e da Ásia é decorrente dessa dicotomia entre países centrais, ricos em tecnologia, e países periféricos, “ricos” em matérias primas baratas.
Estes vendem “commodities” de valores aviltados, como as pedras preciosas, o ferro e os minerais raros e radioativos; e aqueles lhes agregam inimagináveis valores, pelo grau de conhecimento científico que possuem. Aliás, esse conhecimento tem sido lastreado em mentes brilhantes dos países pobres, que emigram para buscar seu doutoramento nas universidades europeias e norteamericanas.
O alerta de Myrdal vem se comprovando cada vez mais. Estudo publicado pela conceituada Oxfam Internacional - numa das mais abalizadas organizações na análise da distribuição de renda, com atuação na Austrália, Bélgica, Canadá, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Hong Kong, Irlanda, Países Baixos, Nova Zelândia, Quebec e Estados Unidos - revelou que apenas 1% da população do planeta detém, hoje, 50% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Quer dizer: somadas, umas 70 mil pessoas açambarcam o equivalente à renda de 3,5 bilhões de terráqueos. Em média, cada uma das pessoas privilegiadas possui o equivalente a 2,33 bilhões de Euros, ou seja, mais de R$ 7 bilhões!
Se consideramos que, desde o nascimento de Jesus Cristo até hoje, só transcorreu um bilhão de minutos, essa cifra é fantástica!
O exemplo mais marcante dessa injustíssima distribuição revela-se nos Estados Unidos, onde, segundo revela Al Gore, em seu atualíssimo livro “O Futuro”, apenas 400 famílias abocanham uma renda equivalente à de 130 milhões de norte-americanos.
A Oxfam Internacional, fundada em 2942, é uma organização não governamental que reúne 13 organizações e 3 mil parceiros. Seu nome é “Oxford Committee for famine relief” (Comitê de Oxford de Combate à fome).
Espalhados pelo mundo, principalmente nos países periféricos, há cerca de 200 milhões (uma população brasileira) de desempregados, afora os milhares de subempregados. Essa é uma das principais causas do aumento desenfreada criminalidade.
Já revelei neste espaço que 30% dos jovens da América Latina nem estudam nem trabalham. É a chamada geração “nem-nem”, que, certamente, acaba contaminada pelo narcotráfico e pela violência, pois cabeça desocupada é oficina do demônio.
O Forum Econômico de Davos começa com esses dados negativos. Os líderes mundiais têm que pôr em prática uma nova política econômica. O mundo explodirá, em pouco tempo, se não houver mudança nesse injusto perfil de renda!






