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Roque: “Varejista foi o que mais sentiu a crise”

Em entrevista à Agência Adjori de Jornalismo, o presidente do SPC Brasil, o catarinense Roque Pellizzaro Junior, diz que o crescimento só deve ser retomado no final de 2017, que o brasileiro precisa aprender a cuidar de suas contas, indica o portal Meu Bolso Feliz e aconselha o varejista.

Roque: “Varejista foi o que mais sentiu a crise”
“O brasileiro precisa fazer a lição de casa”, diz Pellizzaro Divulgação SPC Brasil

Agência Adjori de Jornalismo – Como você está vendo a economia?

Roque – O último ano bom que a gente viu foi 2013. A partir de 2014 a gente já começou a notar uma recaída e um aprofundamento a partir de 2015. Mas o Brasil que existia em 2013 continua existindo. Nós não tivemos nenhum terremoto, maremoto, bomba ou guerra. O que aconteceu foi uma quebra de confiança das pessoas no futuro e isso foi motivado pelo desemprego.

Adjori – E qual a razão dessa crise?

Roque – Os ajustes necessários foram afetados pela crise política e a capacidade do governo de decidir pelas reformas. Agora a expectativa é que esta confiança seja retomada. Os mercados viram com bons olhos a mudança na equipe econômica.

Adjori – A dívida de cada brasileiro vem aumentando, não é?

Roque – A inadimplência está crescendo, apesar de a expansão do crédito estar caindo. Com a retração da oferta de crédito, a inadimplência deveria ter recuado e não é isso que a gente está vendo. Como outras crises, esta vai passar, sim, mas não já. É só para o final de 2017.

Adjori – Há dois anos você dizia que o modelo estava saturado.

Roque – O Brasil se afastou de um modelo de crescimento sustentável. Precisamos aumentar os salários, aumentar os benefícios, mas com um aumento correspondente de produtividade e nós nos descolamos disto. Não aumentamos a produtividade e isto não se sustenta por muito tempo. Deveríamos ter aproveitado aquele momento de crescimento para criar esta base e não foi feito.

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Adjori – Como o SPC Brasil pode utilizar suas ferramentas para ajudar o país e o consumidor?

Roque – Os bureaus de crédito são geradores de informações de mercados e de estatísticas, porque são diretamente ligados à situação de crédito e solvência de pessoas físicas e jurídicas. Estamos vendo os números se deteriorando, mais e mais empresas pedem recuperação judicial. Pessoas físicas que não conseguem mais ajustar o seu orçamento aos seus compromissos. O brasileiro vai ter que se ajustar ao seu orçamento e à sua despesa. Com o juro alto como está ele não consegue alongar os pagamentos dos seus compromissos, porque o juro faz com que este alongamento de prazo inviabilize o próprio pagamento. Então, o primeiro cuidado que o brasileiro deve ter é de por tudo na ponta do lápis. O brasileiro é muito desorganizado no seu dia a dia. O SPC Brasil tem um portal, o Meu Bolso Feliz, para auxiliar as pessoas a controlar suas receitas e despesas, compromissos de médio e longo prazo. Lá ele pode fazer consulta, tem uma planilha para montar o orçamento.

Adjori – Com relação ao varejista, como ele está sentindo esta situação?

Roque – O varejista foi o que mais sentiu a crise, mais do que outros setores. Mas a crise faz com que a gente possa separar também o joio do trigo. Empresas que estavam se aventurando no mercado estão ficando do para trás. O varejista que é mais profissional no seu negócio tende a superar este momento.

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Adjori – Tem uma ala da economia que entende que sem aumento de imposto não haverá saída.

Roque – O governo, antes de cogitar qualquer aumento de imposto, tem que mostrar que está disposto a fazer a parte dele. Ele não pode simplesmente dizer: vou criar novos impostos e repassar essa conta para a sociedade. Ninguém mais acredita que isto seja uma solução. Agora, no momento em que fizer os cortes necessários, aí pode ser. Enquanto não mostrar a que veio, a sociedade não vai aceitar aumento de tributo.

Adjori – E quais são os prazos desse governo?

Roque – A gente vai ter que analisar melhor o governo Temer depois do encerramento do processo de impeachment. Hoje, ainda, a disputa política no Senado limita a capacidade de tomar medidas mais firmes e mais fortes. Mas, a partir do momento em que se defina o impeachment, ele terá 60 dias para mostrar a que veio.

Adjori – Como está o varejista em Santa Catarina? Como a crise atingiu o nosso Estado?

Roque – Santa Catarina é diferente. Nós não temos grandes metrópoles, nossas cidades têm em média 50, 60 mil habitantes. Isso facilita muito o processo de distribuição de renda. Temos uma excelente qualidade de vida, e uma matriz produtiva bastante diversificada em todo o território. Nós temos gerações diferentes de riqueza. Mas a queda de arrecadação foi grande. Eu acho que o governo Colombo foi feliz em ter tomado decisões importantes de contenção de gastos e na questão previdenciária. Obras de infraestrutura acontecem neste momento, muitas delas já haviam sido iniciadas. No fim da crise, provavelmente seremos o primeiro Estado a mostrar resultados. Já o varejo de Santa Catarina é dominado por redes regionais, seja na área de supermercados, seja na área de eletrodomésticos, a presença mais maciça é de empresários locais que conhecem muito bem o chão onde pisam. Isso é um facilitador grande neste momento. Associado também a uma cultura diferente do povo que não foi tomado por um comprometimento da sua renda, até porque a formação do catarinense é diferente. Isso fez com que as famílias pensassem mais no futuro na hora das vacas gordas e agora elas têm alguma reserva.

Adjori – Qual é o conselho que você daria para o varejista?

Roque – O momento é de olhar custo. O grande ponto hoje é trabalhar os seus processos e reduzir ao máximo qualquer custo que não traga resultado imediato para o seu negócio, porque as condições de financiamento estão muito ruins. As taxas estão muito altas, é preciso cuidar muito com os investimentos e se adequar a esse novo catarinense, a esse novo brasileiro, que está consumindo de forma diferente.

Com informações da Agência Adjori / Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.

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