“O varejo deve fechar o ano como a principal atividade econômica nacional”
Em entrevista à Agência Adjori de Jornalismo, o catarinense que é presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior, fala sobre o desempenho do comércio neste ano e avalia as perspectivas no ano que vem. À frente da CNDL desde 2007, Pellizzaro assume um novo desafio em 2015: a presidência do Conselho de Administração do SPC Brasil. Nascido em Curitibanos, é sócio-gerente da Comercial Importadora Lux. Formou-se em Economia pela Universidade Federal do Paraná e em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

Agência Adjori de Jornalismo – O ano de 2014 parece ter sido o mais difícil dos últimos anos para o lojista. É possível fazer uma comparação estatística e também conceitual sobre o que aconteceu nos últimos anos no setor?
Roque Pellizzaro Junior – Sem dúvida foi bastante difícil. Vínhamos de anos anteriores com crescimento bastante forte e o que vimos em 2014 foi uma forte desaceleração. Fruto de uma inflação alta que tirou poder de compra do brasileiro, insegurança no mercado de trabalho, juros altos que reduziram o investimento, Copa do Mundo que trouxe diversos dias de paralisação de atividades e eleições. Este ano não tivemos crescimento no crédito, e nem de massa salarial, condições que vinham dando sustentação ao crescimento visto nos últimos 10 anos.
Adjori – Mesmo com situações adversas, o setor lojista e a pequena e a microempresa tiveram avanços em 2014. Quais foram eles?
Roque – O varejo deve fechar o ano de 2014 ainda como a principal atividade econômica nacional. A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é de 0,2%. Já do varejo restrito, o crescimento deve ser superior a 3%. Isso, por si só, é uma vitória.
Adjori – Quais são as perspectivas para 2015 em um quadro que prevê uma nova equipe econômica no governo federal e mudanças em algumas políticas que vinham perdurando pelo menos nos últimos quatro anos?
Roque – A equipe econômica já indicada pela presidente Dilma, ao nosso ver, foi muito bem escolhida e possui todas as características para a implantação dos ajustes necessários para os anos vindouros, em especial o comprometimento com o ajuste fiscal. Volta a busca do centro da meta de inflação, câmbio flutuante e realidade dos preços administrados pelo governo, todavia a grande dúvida recai sobre as pressões políticas e se haverá realmente determinação por parte do Palácio do Planalto de dar liberdade para que esta equipe implemente as medidas necessárias.
Adjori – O senhor foi eleito e toma posse em janeiro na presidência do SPC Brasil, que é o sistema de informações das CDLs e o mais completo banco de dados da América Latina em informações sobre crédito de pessoas físicas e jurídicas. Quais são os seus planos para o SPC Brasil?
Roque - O SPC cresceu muito nos últimos anos e transformou-se de um simples processador de dados em um efetivo bureau de crédito, ficando o desafio da criação de mais e melhores serviços para os lojistas brasileiros. Entre eles eu citaria o cadastro positivo, a certificação digital e os ditos serviços de rede.
Adjori – O senhor está historicamente ligado ao movimento lojista catarinense e nacional. Qual a mensagem que o senhor deixa aos dirigentes lojistas e ao movimento no começo desta nova jornada?
Roque - Estamos deixando a presidência da CNDL, a mais capilar entidade empresarial do país, com um movimento unido e disposto a atuar politicamente na busca de melhorias no Brasil, seja para a sociedade em geral, seja para o varejo. Ainda há muito por ser feito, tanto a CNDL como no SPC, mas hoje nos orgulhamos de onde estamos e também de tudo aquilo que representamos.
Com informações da Agência Adjori de Jornalismo / Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.







