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MODA E MERCADO TÊXTIL

O momento é de apostar no DNA da moda brasileira

O momento é de apostar no DNA da moda brasileira
Foto: WilliamBucholtz / divulgação

O mercado brasileiro da moda, e claramente incluído aqui o mercado do Médio Vale do Itajaí, com a força da indústria têxtil, ainda se espelha nas tendências internacionais para fazer moda. Com a economia atual desaquecida e uma mudança no perl do consumidor brasileiro, mais atento às produções de qualidade e sedento por produtos diferenciados, são bons indicativos de que o design e a produção têxtil devem voltar-se para o quintal de casa. Para a diretora do Instituto Orbitato, uma escola de estudos em arquitetura, moda e design, com sede em Pomerode, a hora é agora para o Brasil deixar de copiar o que vem de fora e pensar numa “marca própria”.

Sobre como dar este passo, Celaine pondera que é preciso trabalhar a questão de forma equilibrada.

“Tenho visto um movimento que me parece uma volta natural em mercados mais locais. Estendemos demasiadamente o conceito de mercado global, devemos voltar e tentarmos estabelecer um equilíbrio entre global e local. Precisamos aprender a dar valor para o que é de perto, e o que é de perto, naturalmente deve aprender a ter valor. Precisamos de melhores práticas no mercado de têxtil nomeedemoda”.

Segundo Celaine é importante que a relação entre os setores administrativos e de desenvolvimento de produto sejam mais íntimas, porque uma área deve entender a outra e procurar ver como cada uma opera.

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“Há que haver um uxo de ações coordenadas desde o mercado até o desenvolvimento, e do desenvolvimento também em direção ao mercado. Mais do que desenvolver o produto é preciso escolher corretamente quais vão para o mercado, como e por quê. É fundamental integrar o sistema que produz com o sistema que vende”, salienta.

A diretora do Orbitato destaca que fazer emergir a identidade da moda brasileira signica um ganho econômico, cultural e social para toda cadeia produtiva do mercado têxtil. “Todos nósganharíamosmuito.Toda a cadeia produtiva que ainda está ativa, desde plantadores de algodão e produtores de outras bras, fabricantes de componentes, os eventos, as pessoas.

Signicaria um ganho social e cultural imenso”.

Ela lembra também que o consumidor está mudando.Estámaisatentoàorigem do produto que quer, seja por desejo ou necessidade. Isso signica que um consumidor mais consciente tem poder de balizar os caminhos da produção. “A oferta e a procura são dois lados da mesma moeda. A campanha que o Sebrae está fazendo neste momento, “Compre do pequeno negócio”, por exemplo, é muito legal, chama a atençãodeumpoderdedecisão de quem consome”, observa, destacando que há espaço para negócios menores e mais especializados aptos para atender clientes com necessidades não supridas, que clamam por soluções especícas e produtos melhores.

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Capacitação e qualidade

A especialista adverte sobre a importância da capacitação para uma produção de qualidade. Salienta que o comum é o pensamento de que qualidade de produtos esteja relacionada somente às melhorias tecnológicas, à aquisição de equipamentos de ponta.

“Poucas vezes pensamos que temos que usar melhor os equipamentos que temos disponíveis. Na maioria das vezes trocamos um equipamento por outro mais veloz, mas não aprendemos a ganhar mais, ou viver melhor com essas decisões. Acabamos perdendo cultura e diversidade com isso”, exemplica.

Na opinião de Celaine o conhecimento técnico permite que a criatividade se revele de forma comprometida e coerente. Para ela, conhecimentos sobre os sistemas produtivos e visões amplas sobre mundo, mercado, políticas econômicas, culturas, sempre com metas de longo prazo, levariam o Brasil ao sucesso e à independência no mundodamodaetêxtil.

Celaine reforça que o momento atual é oportuno para que o Brasil mude sua posição no cenário de produçãodemodaenomercado têxtil em geral, construindo sua identidade. “Construir identidade é um aprendizado de si mesmo. É como dizer: o que eu quero falar?Emfavordoqueoude quem eu quero falar? Que cara eu tenho? Ou seja, tem queseorganizarparatrabalhare descobrirqualarazão pela qual se trabalha. Produtos e métodos que trabalham evidentemente só pra ganhar dinheiro, não parecem estar no melhor caminho”, sentencia.

Com informações da Estilo Comunicação (assessoria). Texto revisado pela redação.

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