"O Brasil na encruzilhada”
Um tripé maligno assombra a economia brasileira: baixo crescimento, alta inflação e déficit na conta corrente. Dois trimestres quase nulos de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) já colocaram o país em recessão técnica, jargão da economia que significa algo muito próximo da estagnação da atividade econômica.
Depois de uma era marcada por inflações fora do controle, criou-se, após o sucesso do Plano Real, a meta inflacionária, estabelecendo como suportável uma desvalorização anual da moeda de, no máximo, 4% a 4,5%. Estouramos essa meta há muito tempo. Hoje, medida entre 6% a 6,5%, no entanto, ela reflete a realidade da alta dos preços, pois, para segurá-la nesse patamar o Ministério da Fazenda passou a fazer controle de preços sob administração estatal, como nos combustíveis e na energia. A outra face perversa da atual conjuntura econômica é o déficit nas contas do governo, que vem sendo suportado por financiamentos externos – estes já chegaram a 80 bilhões de dólares norte-americanos! Por que o Brasil não está crescendo? A resposta é obvia: porque a indústria nacional está fragilizada. As incertezas quanto ao futuro inibem os investimentos. E os capitais externos, que antes viam o Brasil como um foguete rumo ao desenvolvimento, o veem como uma estrela cadente no seio dos países emergentes. Em entrevista recente, o ex-ministro Delfim Neto diz que “a indústria brasileira foi destruída, e que é preciso reconstruí-la”. Exagero à parte da palavra “destruída”, concordo que o setor industrial (base do desenvolvimento de qualquer nação) foi realmente avariado pelos rumos atuais da política econômica. O míope combate às importações, feito de forma geral e não seletivo, deixou de separar o necessário embargo às compras externas de quinquilharias de consumo (que está liquidando, o setor têxtil e de ferramentas, da importação de bens de capital, componentes e insumos indispensáveis ao aumento da capacidade tecnológica e competitiva da nossa economia. Isso desestimulou investimentos em indústrias dependentes de commodities externas. Resultado: ao invés de investirmos na transformação de produtos primários baratos, raros ou inexistentes no nosso território, agregando-lhes valor, aqui, continuamos a comprar esses produtos caros, com valor agregado lá fora. Alem disso, estamos renunciando à industrialização de nossas próprias matérias-primas. O caso mais gritante é o das terras raras, essenciais para a produção de catalisadores e imãs permanentes, que são componentes irrefutáveis da nova revolução industrial que está começando com a produção de veículos híbridos e elétricos e que serão exigidos, praticamente, em todos os eletrodomésticos, para aumentar-lhes a eficiência e reduzir o consumo de energia. Esse mesmo exemplo vale para produtos semi-elaborados destinados à produção de remédios, produtos micro-eletrônicos e de toda a cadeia tecnológica mais avançada. O grande drama do Brasil é que o governo arrecada do povo 38% de PIB e só investe 2,5% disso em infraestrutura, educação, pesquisa científica e tecnológica. Para atingir um patamar de desenvolvimento sustentável, deveria manter um ritmo mínimo de investimentos públicos da ordem de 5% do PIB. E 25% dos investimentos totais, públicos e privados! É urgente a adoção de uma nova política econômica! Foi essa mensagem que o povo brasileiro deixou clara do dia 26 de outubro.
Com informações da Senador Luiz Henrique da Silveira. Texto revisado pela redação.





