“Não se pode dissociar a qualificação da força de trabalho do desenvolvimento econômico”
Em entrevista à Agência Adjori de Jornalismo, o presidente do Sistema Fecomércio de Santa Catarina e diretor-secretário da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Bruno Breithaupt, avaliou 2014 como um ano difícil para o comércio. Falou, ainda, dos planos da Federação para 2015. Empresário de Jaraguá do Sul, Breithaupt é membro do conselho da empresa Comércio e Indústria Breithaupt S/A, do Conselho da Associação Comercial e Industrial de Jaraguá do Sul (ACIJ); do Conselho das Federações Empresariais (COFEM), do Conselho Deliberativo do SEBRAE/SC e do Conselho Deliberativo da ADVB/SC.

Agência Adjori de Jornalismo – O senhor poderia fazer um diagnóstico de como foi o ano de 2014 para o comércio em Santa Catarina e no Brasil? Quais são as perspectivas para 2015?
Breithaupt – O ano de 2014 foi um ano difícil para o comércio, tanto em Santa Catarina quanto no Brasil. Os volumes de vendas reduziram consideravelmente. Aqui no Estado, as vendas, no acumulado de 12 meses, saíram de 3,3% para 0,8% no período. É o pior resultado desde dezembro de 2003 (na época, o indicador chegou a 0,5%). Em termos de faturamento, o setor está andando de lado. Para 2015, as perspectivas também não são as melhores. A presidente Dilma apontou para um ano de ajustes na economia. No curto prazo, as medidas indicam para a manutenção do cenário de baixo crescimento do comércio, postergando a retomada do crescimento para 2016. A tendência é que os juros e a carga tributária se mantenham elevados para ajustar a economia, o que retrai o consumo das famílias. Porém, mesmo as medidas sendo recessivas no curto prazo, elas tendem a recuperar as expectativas e ajudar na retomada dos investimentos e da produtividade na economia brasileira, com prováveis melhores resultados para o setor.
Adjori – Quais seriam os caminhos e/ou as medidas necessárias para que o setor terciário retomasse o crescimento?
Breithaupt – O fundamental é criar estímulos para a iniciativa privada. Nesse aspecto, primeiro de tudo é a redução dos altos juros que se paga no país. O governo precisa passar a controlar a inflação por meio de um maior ajuste de sua política fiscal, e não focar apenas na política monetária, isto é, na alta dos juros. Em segundo lugar, é necessária uma reforma tributária que reduza e simplifique os impostos. Desse modo, os investimentos podem ser ampliados com riscos menores, já que hoje se paga muito imposto, mas o retorno é pequeno. Também uma reforma trabalhista que diminua os encargos dos empresários, a fim de readequar a legislação à nova situação econômica, na qual a produtividade encontra-se represada devido aos altos custos do trabalho. Com tudo isso, elevar a produtividade é o grande desafio das economias brasileira e catarinense. Também é preciso estimular a inovação e o investimento em novas tecnologias, por meio da educação e de políticas públicas. Foi a partir disso que os países ricos de hoje chegaram a um nível elevado de desenvolvimento econômico e social.
Adjori – Antes mesmo de ser reeleita, a presidente Dilma Rousseff sinalizou que promoveria mudanças na condução da política econômica do país. Quais mudanças o senhor destacaria para a retomada do desenvolvimento?
Breithaupt – O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é conhecido por ter um perfil conservador na condução da política econômica, o que pode indicar que adotará medidas mais rígidas para conter a inflação e cumprir as metas de superavit primário, debilitadas este ano. Também estão previstas políticas que venham no sentido de recompor a produtividade da economia brasileira. Essas eu destacaria como as mais importantes. Nos outros temas, destaco que algumas reformas pontuais, que foram inclusive negadas pela presidente Dilma no primeiro mandato, devem ser levadas a frente, como a regulamentação da terceirização e o fim da multa de 10% do FGTS nas demissões.
Adjori – A Fecomércio/SC teve forte atuação política e institucional ao longo deste ano. Quais foram as principais vitórias da Federação no campo político-institucional em 2014?
Breithaupt – Ainda no início do ano, lançamos na Assembleia Legislativa a segunda edição da Agenda Política e Legislativa do Comércio de Bens, Serviços e Turismo catarinense. Fomos muito bem recepcionados pelo presidente da Casa, e praticamente todos os deputados presentes, em uma sessão bem concorrida, teceram suas congratulações pelo lançamento e pela nossa atuação junto aos poderes públicos estaduais. Tivemos uma atuação destacada na alteração do Simples Nacional, desde a realização da Audiência Pública da Comissão Especial que analisou as alterações, em 2013, até a presença na tribuna da Câmara dos Deputados para defender os interesses do comércio catarinense e brasileiro. Aqui em Santa Catarina, também contribuímos muito na rápida aprovação do Estatuto das Micro e Pequenas Empresas, na Assembleia Legislativa, em uma atuação articulada junto ao Fórum das MPEs em Santa Catarina. Ao longo deste ano, também atuamos nas audiências públicas do Orçamento Regionalizado no Estado.
Adjori – Quais são os planos e as metas do Sistema Fecomércio para 2015?
Breithaupt – A educação é um dos pilares da atuação do Sistema Fecomércio e, para o próximo ano, continuaremos a investir em capacitação profissional, qualificação de mão de obra e cursos de especialização, mas também investiremos forte no ensino fundamental, que é a base de tudo. Não se pode dissociar a qualificação e a profissionalização da força de trabalho do desenvolvimento econômico. E isso começa desde cedo, na educação infantil e no ensino fundamental, e no acompanhamento permanente dos alunos até a formação superior. Precisamos garantir um país formado por pessoas qualificadas profissionalmente. Por isso, temos que reverenciar o trabalho desenvolvido pelo Sesc e pelo Senac em todas as suas unidades espalhadas por Santa Catarina. Estamos investindo cada vez mais nas unidades em funcionamento e na implantação de novos pontos de atendimento.
Adjori – O senhor assumiu, em agosto, um novo mandato à frente da entidade. O que o senhor gostaria de deixar como marca registrada?
Breithaupt – No primeiro mandato, nos dedicamos a reorganizar a estrutura interna da Fecomércio/SC para ampliarmos a nossa representatividade em todo o Estado, implantando as nossas vice-presidências regionais e setoriais. Para este segundo mandato, gostaríamos de deixar como marca a nossa atuação em prol da educação, buscando a qualificação profissional e o aumento da produtividade do setor terciário. Os investimentos que faremos no Sesc e no Senac mostram essa preocupação. Precisamos, também, investir em inovação, seguir as tendências da vida moderna, com iniciativas como o Fecomércio Shopping, a plataforma desenvolvida para oferecer aos comerciantes uma porta segura para as vendas na internet.
Com informações da Agência Adjori / Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.







