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Entrevista

“É a partir de pequenos nichos que se formam grandes mercados”

Recém empossado presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), o catarinense Vinicius Lummertz falou à Agência Adjori de Jornalismo sobre os potenciais turísticos de Santa Catarina e a infraestrutura do setor no Brasil. O país ocupa a primeira posição entre 140 países no quesito potencialidades e recursos naturais. Entretanto, o título contrasta com a 102ª colocação em abertura internacional. Ainda assim, os dados do Fórum Econômico Mundial demonstram que os investimentos para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas de 2016 ajudaram o país a saltar 23 posições: da 51ª para a 28ª no ranking de economias mais competitivas do turismo. “É preciso mudar esse cenário”, disse Lummertz à Adjori.

“É a partir de pequenos nichos que se formam grandes mercados”
Entrevista: Vinicius Lummertz, catarinense empossado presidente da Embratur Douglas Rossi

Agência Adjori de Jornalismo: Qual é a avaliação da infraestrutura de turismo no Brasil, com um recorte em Santa Catarina. O que é preciso para o setor avançar?

Vinícius Lummertz: Santa Catarina está bem posicionada no mercado brasileiro. Florianópolis, Balneário Camboriú e Bombinhas, particularmente, têm um posicionamento internacional consolidado. É possível observar que o desenvolvimento do turismo no Estado já cumpriu vários ciclos, desde o veranismo, com casas em balneários, passando pelo surgimento de uma hotelaria de pequeno porte. Atualmente, a atividade turística representa cerca de R$ 6 bilhões, ou seja, 12,5% de PIB catarinense. O Estado apresenta uma diversidade e complexidade interessante tanto para o mercado nacional quanto para o Mercosul. Entretanto, no médio e longo prazo deveremos olhar mais longe. Isso significa que será preciso “abrir” o mercado catarinense, atraindo investimentos e empreendimentos que ajudem o setor crescer.

Adjori: Como o segmento pode avançar em Santa Catarina?

Lummertz: A importância do turismo em Santa Catarina é maior que o próprio reconhecimento já obtido. Isso porque ele é difuso, e quando o turismo é assim, generalizado, não se percebe o quanto ele está presente. A complexidade da atividade não é óbvia e só passa a ser percebida quando é vista de maneira isolada.

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É preciso entender que o amadurecimento do turismo passa por várias instâncias. Passa pelo setor de serviços, pela estética da cidade, pela captação de negócios, e pela decisão política de receber e servir pessoas. Há municípios e culturas que não querem receber, que resistem, até que ocorra uma conscientização sobre a importância do turismo para aquela comunidade. Isso tudo precisa ser superado.

É esse o grau de consciência que deve ser atingido e no Brasil temos alguns problemas com isso. Queremos transformar os parques naturais de Santa Catarina em atrativos turísticos. O lado bom é que temos essas reservas. O lado ruim é que ainda não as desenvolvemos. O mesmo com as orlas, as marinas e os demais pontos turísticos. O desenvolvimento das potencialidades de centros históricos, por exemplo, encontra diversos conflitos dentro do próprio Estado. Como fazer com que isso funcione para o bem de todos? O turismo requer muito diálogo, debate público, e, sem dúvida, um amplo estudo econômico.

Adjori: Qual é o papel dos municípios do interior no desenvolvimento do turismo?

Lummertz: Santa Catarina se destaca no turismo de negócios nas chamadas capitais regionais, como Chapecó, Joaçaba, que sempre tiveram uma grande importância. Existe uma diversificação acentuada de atrações, como festas típicas, eventos religiosos e gastronômicos. Contudo, para que isso se torne um produto, é preciso um trabalho político e institucional, com investimentos públicos e privados nestas potencialidades, focando sempre mercados reais. É a partir de pequenos nichos que se formam grandes mercados. Neste contexto, é preciso fomentar o empreendedor. O poder público deve auxiliar e mostrar ao empresário as condições de negócio, já que, no final do processo, quem operacionaliza o turismo é o investidor privado. É preciso ainda profissionalizar a forma de captação de negócios relacionados a estas potencialidades.

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Adjori: Economia, turismo e burocracia. Como estas três questões estão relacionadas?

Lummertz: Desenvolvimento da economia, o Brasil precisa mais. Burocracia, o Brasil precisa menos. E a política, desburocratizando procedimentos, é o caminho para fazer essa relação funcionar. Não há como se manter uma democracia real funcionando, não há como aumentar a participação das pessoas no mercado de consumo de massa, sem darmos sustentação à economia. O aumento real de salário, os ganhos e a melhoria da qualidade de vida dos consumidores passam necessariamente pelo incremento na produtividade.

Com informações da Agência Adjori de Jornalismo / Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.

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