Crescimento das cooperativas não foi interrompido pela crise

Em entrevista à Agência Adjori de Jornalismo, o novo presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), Luiz Vicente Suzin, fala sobre os desafios do setor. Ligado ao cooperativismo há 40 anos, Suzin assumiu a presidência da Cooperativa Agropecuária Videirense (Coopervil) em 1989. Também é fundador da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados do Vale do Vinho (Sicoob Videira). É membro do Conselho de Administração da Cooperativa Central Aurora Alimentos. Presidiu a Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (Fecoagro) por nove anos, a qual deixou para assumir o comando da Ocesc. Natural de Videira, é graduado em Biotecnologia com Ênfase em Enologia, na Unoesc Campus de Videira.
Agência Adjori/SC de Jornalismo - Quais são suas metas no comando da Ocesc/Sescoop?
Luiz Vicente Suzin - A Ocesc está em uma excelente fase e sua atuação tem ampla aprovação da comunidade cooperativista catarinense, das autoridades, da imprensa e dos órgãos de fiscalização. Assim, vamos dar continuidade ao trabalho tão bem conduzido pelo ex-presidente Marcos Zordan.
Adjori - Qual é a realidade, hoje, do cooperativismo catarinense?
Suzin - O setor cooperativista de Santa Catarina tem um crescimento ordenado, sólido e estruturado. Nos últimos anos, tem crescido, em média, de 12% a 20%. Para 2016, deveremos crescer de 6% a 8%, o que é muito bom, se comparado ao quadro geral de recessão da economia brasileira. O número de associados tem aumentado de 8% a 10% ao ano.
Adjori - Quais os principais ramos do cooperativismo do Estado?
Suzin - O setor agropecuário responde por aproximadamente 64% das cooperativas. Também têm importância significativa as da área de saúde, crédito, infraestrutura e consumo, além dos ramos de transporte, trabalho, produção, habitacional, mineral, especial e educacional.
Adjori - Por que o setor cooperativista catarinense se diferencia de outros estados?
Suzin - Vamos falar do ramo agropecuário que é o maior de todos. Santa Catarina é um Estado de minifúndios, pequenas propriedades. Isso faz com que os produtores rurais se unam para otimizar a renda. Esse aspecto, aliado aos inúmeros serviços prestados pelas cooperativas aos seus associados, resultam numa maior integração. Em outro ângulo, as atividades das cooperativas agregam valor aos produtos primários, o que proporciona a melhoria da remuneração dos associados. Finalmente, o forte empenho dos últimos anos na linha de reestruturações, racionalização de custos e elevação de escala têm permitido a obtenção de resultados positivos.
Adjori - Existe uma luta antiga para que o Ato Cooperativo seja regulamentado. Se isso ocorresse, transações realizadas entre as cooperativas e seus associados seriam isentadas de tributos. Por que, até agora, isso não aconteceu?
Suzin - O Congresso Nacional aprovou apenas a regulamentação do Ato Cooperativo para os segmentos agropecuário, crédito e transporte. Falta estender esse benefício aos outros ramos. A lei geral do cooperativismo ainda não foi votada. Apesar do imenso esforço da Organização das Cooperativas Brasileiras junto ao Congresso Nacional, verificamos, com pesar, que a imensa maioria dos parlamentares federais desconhece o cooperativismo - sua doutrina, seu papel econômico, seus efeitos sociais e a contribuição que oferece ao desenvolvimento do Brasil.
Adjori - O senhor acredita que o cooperativismo possa tornar-se modelo de organização no Brasil?
Suzin - Este é o sonho dos cooperativistas: um dia o cooperativismo será bandeira de todos. O cooperativismo deixou de ser apenas uma doutrina bonita, apurada e reconhecida mundialmente para transformar-se em um grande e eficaz instrumento de transformação da sociedade. Estudos comprovam que, nas regiões onde atuam, as cooperativas elevam o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Com informações da Agência Adjori / Rede Catarinense de Notícias. Texto revisado pela redação.







