SEE JORNAISQuarta-feira, 14 de outubro de 2026Leia também: Cabeço Negro
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“Crédito só é bom quando te dá retorno”

Em entrevista à Agência Adjori de Jornalismo, o superintendente do Banco do Empreendedor, Luiz Carlos Floriani, fala sobre crédito consciente, expansão dos negócios no Estado, regularização de micro e pequenas empresas e sobre o papel de uma boa consultoria para empreender.

Agência Adjori de Jornalismo - Quais são os principais desafios, hoje, do Banco do Empreendedor?

Luiz Carlos Floriani - Eu te diria que o desafio é chegar a regiões onde ainda não estamos. Seria o Extremo Sul, de Tubarão até Passo de Torres; o Extremo Oeste, onde também nós estamos limitados até o presente momento, indo até Capinzal, Joaçaba. E ainda o que a gente chama de Alto Vale do Itajaí. Também posso dizer que por meio das unidades de Mafra e de Garuva estamos fazendo os primeiros atendimentos para o Paraná.

Adjori - O grande diferencial do Banco do Empreendedor seria o método?

Floriani - Isso mesmo. A metodologia não é o cliente vir ao banco e sim o banco ir ao encontro do cliente. Verificar a necessidade, a utilização, a viabilidade do negócio, a capacidade de pagamento, o retorno...

Adjori - E a checagem de capacidade de endividamento também é outra, certo? Para a pessoa que não tem um contracheque, um pró-labore...

Floriani - Exatamente. O conceito, no microcrédito, é a viabilidade do negócio. O resto é muito mais fácil de se resolver do ponto de vista prático. Na prática, o que devolve o crédito ou o que garante o pagamento é a qualidade do negócio. Se o negócio está bem, o empreendedor não deixa de nos pagar.

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Adjori - E que tipo de empresário mais procura o Banco do Empreendedor?

Floriani - Na realidade, a gente recebe e atende pedidos de todos os segmentos. É claro que o que mais atendemos é a área dos pequenos negócios, na prestação de serviços. Vindo logo atrás o comércio, também, que é muito forte. Até pouco tempo atrás, há até dois anos, em nossa carteira, 70% eram informais e 30% eram de formais, microempresas e empresas de pequeno porte regularizadas. Com o advento da lei do Microempreendedor Individual, isso começou a mudar. Hoje, a nossa carteira já está praticamente com 60% de formais e 40% de informais. A Lei do Microempreendedor Individual é uma lei que - e temos que dar o mérito para um trabalho muito forte que o SEBRAE faz - proporcionou verdadeiras condições de entrar na formalidade sem um custo que pudesse colocar em risco o negócio. Em Santa Catarina, o governo também criou o Juro Zero, que é uma forma de incentivar o empreendedor a se formalizar e a ter acesso a um empréstimo onde ele não paga juro, quem paga o juro é o governo.

Adjori - E hoje quem pode fazer empréstimo a Juro Zero?

Floriani - Nós usamos a mesma metodologia usada para os produtos do Banco do Empreendedor. Vamos lá na empresa da pessoa, avaliamos a necessidade que ela tem de crédito, a utilização, qual é a viabilidade do negócio. Nós temos vários casos em que não é liberado. Por quê? Porque não está justificada a necessidade. E aí é bom que as pessoas não fiquem chateadas. Porque crédito só é bom quando ele te dá retorno; se não tiver a garantia do retorno, nós, em vez de te ajudar, nós vamos te atrapalhar.

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Adjori - E existe um teto de renda para ser cliente do Banco do Empreendedor?

Floriani - Nós temos clientes e alguns deles viraram até case de sucesso internacional - que nem deveriam estar mais trabalhando conosco por causa do tamanho que alcançaram. Tem um, aqui na Grande Florianópolis, que começou lá no ano 2000 com a gente, com uma pequena operação, e hoje ele tem duas empresas nas quais ele emprega 200 funcionários. Mas ele continua com a gente, tomando o nosso limite máximo, por uma sinergia, sabe? Ele se sente tão grato, de certa forma, porque foi atendido quando ninguém o conhecia, que hoje ele pega de outros bancos, mas continua com a gente.

Adjori – Então, quando um microempreendedor deixa o Banco do Empreendedor para acessar o crédito convencional, vocês podem perder um cliente, mas alcançam um objetivo?

Floriani – Sim, o nosso objetivo é dar a orientação e os recursos necessários para que ele progrida. A partir disso, ele vai melhorar toda a cadeia que está em torno dele.

Adjori - E o Banco do Empreendedor atende apenas empreendedores?

Floriani - O banco, este ano, criou o primeiro produto destinado para assalariados. É o CREDIRE- FORMA. Damos condições para assalariados de baixa renda fazer reformas, em vez de ficar fazendo aqueles pequenos ajustes.

Adjori - Qual é o conselho que o senhor daria a uma pessoa que busca por crédito?

Floriani - Você precisa saber pra que você quer o crédito, como é que vai usar e qual o retorno que ele vai te dar. Estas são as perguntas básicas. Se você tiver a resposta, você está resolvido. Se não for assim, a pessoa estará fazendo uma operação que é boa para quem oferece o crédito, mas não é boa para ela mesma.

Com informações da Agência Adjori de Jornalismo. Texto revisado pela redação.

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