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Três gerações unidas pelo 25

Três gerações unidas pelo 25
Guilherme, Rosália e Zoé, sentados à esquerda, no Natal do ano passado Arquivo Jornal Parole

P ode parecer estranho, mas o caso é real em uma família no Rio Grande do Sul: há três gerações, há um representante da família encorpando a comemoração de aniversário no Natal. Avó, filha e um neto nasceram no dia 25 de dezembro. E neste Natal a festa em Viamão, ao lado de Porto Alegre, será muito maior, pois Zoé Lopes de Souza completa 80 anos. A filha parceira de aniversário, Rosália Lopes de Souza, chega aos 49. Já o sobrinho, neto de Zoé, Guilherme Lopes da Silva, completa 17.

Como tradicionalmente acontece, a festa vai ser na casa de Rocheli e Rosália, que mora em Montenegro, distante cerca de 100 quilômetros, já garantiu presença. “Estarei lá sim para comemorar os três aniversários e mais os 80 anos da mãe”, diz. Zoé nasceu no interior de Arroio dos Ratos quando a localidade ainda era distrito de São Jerônimo, na região carbonífera do estado.

Na casa simples de chão batido feita de varas de eucalipto e revestida de barro, Zoé conta que teve uma infância igualmente simples. Foi criada pelo avós maternos, João e Ma ria, e revela que era muito feliz. “Os natais sempre foram muito alegres. Eu sempre ganhei apenas um presente, valendo pelo aniversário e Natal. O mais divertido era que tínhamos que procurar os presentes no meio de taquareiras. Era muito mais bonito e simbólico do que hoje em dia”, conta.

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O parabéns nunca faltou para Zoé. As comemorações sempre eram feitas antes das ceias. “Na infância, íamos para a janela esperar o Papai Noel, que traria o meu presente de Natal e Aniversário. Uma tradição era ir a Missa do Galo, que também marcava o meu aniversário. Era algo que eu gostava, era lindo, mas que se perdeu com a vinda para a cidade”, lamenta.

A cada aniversário e Natal a festança no sítio sempre foi grande. Porco assado, doces, pão de ló, figos e outros quitutes recheavam a mesa. “Toda a família da minha avó ia para lá. Uma tradição que se manteve ao longo dos anos.” Ter o aniversário ofuscado pelo Natal nunca preocupou Zoé. Ela entende que isso nem acontece. “Muito pelo contrário, eu sou orgulhosa de ter nascido no Natal. É diferente por que não recebemos amigos. É somente a família, em uma festa muito mais simbólica. Mas não acho que fique ofuscado, por ser uma tradição, todo mundo já sabe e lembra dos aniversários, afirma.

Mas ter uma filha e um neto nascendo no mesmo dia sempre foi algo inimagin vel. “É a coisa mais á á linda que alguém pode receber. É uma honra. Não foi nada programado, não esperava ter a minha filha neste dia. Quanto ao meu neto, quando chegou dia 25 eu senti uma sensação e disse enquanto almoçava: ele vai nascer hoje. São três gerações que comemoram juntas e espero que isso (outros nascimentos no Natal) possa se manter entre a família.

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Sobre o Natal, Zoé des taca que o que mais gosta é de ter os filhos e netos reunidos com saúde e felizes. “É sem dúvida a festa mais bonita do ano. Meu marido, se fosse vivo, iria querer o pinheiro montado durante todo o ano. Ele sempre fazia isso, para me homenagear. A comemora ção, desde que meu marido faleceu, é na casa da minha filha Rocheli, onde moro. O bolo é o mesmo para todos, colocamos as velas do Guilherme, da Rosália e minhas. Nem sempre a Rosália pode estar presente na data, por morar em outra cidade. Mas isso não era empecilho, pegávamos o telefone, ligávamos para ela e cantávamos parabéns juntos. Não abrimos mão de ter a comemoração feita em coletivo”, detalha, revelando um sonho: “Espero que meu neto Guilherme possa ter um filho que nasça no dia de Natal. Seria algo mágico e que provaria a força da nossa família.”

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