Ingleses visitam o Trem de Subida

No último dia 24 de setembro o “Trem da EFSC” foi contemplado com a visita de 23 Ingleses aficionados pela tração a vapor. Os Britânicos, acompanhados por um guia Brasileiro e por um guia Inglês, foram recepcionados às 15 horas na localidade de Subida pelo Coordenador Regional Administrativo do NuRVI da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), Sr. Otávio Georg Jr., e imediatamente iniciaram os trabalhos de filmagens e fotos, com a composição deslocando-se ao longo do trecho.
Neste afã vários locais ao longo da linha mereceram a atenção dos ilustres visitantes com destaque ao túnel e ao viaduto de dois arcos onde foram feitas várias tomadas fotográficas e filmagens. Sempre objetivos, encerraram os trabalhos às 18 horas, dirigindo-se para pernoite em Rio do Sul para no dia seguinte dirigirem-se a Piratuba onde a ABPF mantém em operação o “Trem das Termas”.
Esta é a segunda vez que o Trem da EFSC recebe visitantes estrangeiros. A primeira visita ocorreu em 2012. Os grupos são compostos, em grande maioria, por estudiosos, historiadores da era do vapor, documentando ao redor do mundo o que resta em operação desta época de ouro do transporte mundial.
Importante citar que a tração a vapor está praticamente extinta no mundo todo, salvo na China onde ainda se usa a locomotiva a vapor para uso comercial. Na atualidade, relíquias como a nossa locomotiva 232, são muito bem preservadas, em geral por associações e clubes de aficionados, somente operando ainda como monumento histórico cultural. Devido a sua sinuosidade, aclividade e obras de arte existentes, fazendo com que a locomotiva exerça toda sua força e desempenho, o trajeto é extremamente bem visto por estes visitantes.
O “Trem da EFSC”, nome este dado porque representa como museu a história da extinta EFSC, movimenta a cada mês em média 700 visitantes. Tendo como principal atração o trem a vapor, atração raríssima, diga-se de passagem, os visitantes vem também atrás das belas paisagens panorâmicas que podem ser vistas ao longo do trajeto.
Mas, há problemas também, principalmente a curta extensão do trecho de apenas 2,5 km. A bem da verdade, o dinheiro advindo do contrato de compensação da Hidrelétrica Salto Pilão, contemplou o projeto com uma ferrovia inacabada, onde não existem desvios para a troca de ponta da locomotiva, não há estação, e o pátio de recepção ao visitante, local da parada do trem é feita em terreno alugado.
Um dos maiores problemas também é o entorno da ferrovia, no trecho que compreende a área urbana de Subida, local onde os moradores insistem em utilizar a ferrovia como descarte de lixo e onde em alguns trechos o esgoto doméstico corre a céu aberto dando uma péssima impressão á quem visita o trem.
A administração do trem, como investimento histórico cultural que é e sem finalidade de lucro aos seus administradores e operadores, que são todos voluntários, neste caso o NuRVI/ABPF, espera maior comprometimento do poder público municipal, no sentido de resolver os problemas citados, com ênfase ao embelezamento e melhor trato ao entorno da ferrovia, mediante a conscientização ambiental dos moradores, bem como auxilio em infraestrutura para o prolongamento da ferrovia em pelo menos um quilometro.
Os demais investimentos, como colocação de trilhos, a compra do terreno da plataforma de embarque, a construção dos desvios certamente terão que ser alavancados pelo próprio NuRVI, porém, se aceita de bom grado patrocínio de forma particular de quem quer que seja e que principalmente goste do trem como marca histórica regional.
Somente neste ano de 2014 o NuRVI já investiu R$ 35.000,00 na manutenção da via férrea, aplicados na troca de dormentes e contenção e controle de encostas. Outros R$ 10 mil foram gastos em pequenas obras como a construção de uma oficina, que não existia, reforma do vagão prancha para utilização como apoio às obras ao longo da linha e compra de equipamentos de manutenção.
Importante destacar que a razão de ser do projeto do trem, é a preservação e restauração de material ferroviário, expondoo ao público. Mas, para isso um longo caminho ainda terá que ser percorrido. Enquanto isso o NuRVI aguarda a possibilidade de decretação da utilidade pública do trem, trâmite já em andamento, o que se aprovado certamente facilitará o auxílio do poder público.
Não é preciso dizer que, quanto mais atrativo, mais visitantes o trem receberá. Bom para o trem, mas muito bom também para o município e em especial para a comunidade regional, que com criatividade, poderá usufruir da demanda turística trazida pelo trem.







