Solidariedade bom e faz bem
Psicólogo afirma que o altruísmo faz bem para quem o pratica

Ajudar o próximo, ser altruísta, não faz bem apenas para quem recebe as ações solidárias, mas também beneficia quem tem a atitude de dedicar parte do seu tempo aos outros. O mestre em psicologia e professor da PUC/PR, Cloves Amorim, explica que além de fazer bem para a saúde mental do solidário, a atitude também traz benefícios para o sistema imunológico.
"Ao considerarmos o nível ontogenético (significa o nível da subjetividade) a autoestima é imediatamente inflada quando se pratica condutas generosas. Existem mecanismos culturais, como a religião, que também proporcionam em quem age de forma solidária uma recompensa neste mundo ou até em outro. A sensação de bem-estar do ponto de vista fisiológico produz endorfinas que nos provoca sensação de felicidade. Também uma experiência agradável potencializa o sistema nervoso central e o sistema imunológico, produzindo mais células da defesa e mantendo o organismo mais saudável", destaca.
Amorim aponta que ajudar o outro é também ajudar a si mesmo. "Já publicamos um estudo em que os participantes de um programa de voluntários, numa parceria de escolas com a comunidade, se apresentaram muito mais resilientes, ou seja, com mais recursos psicossociais e relatavam mais condições de enfrentar os desafios da vida", afirma.
Para Amorim, as motivações que levam as pessoas a integrar ações voluntárias e solidárias são, na maioria das vezes, de ordem subjetiva. "Mas podemos hipotetizar que ao ajudar o próximo, o indivíduo recebe reforços tanto pessoais (sentir-se bem, ver a alegria de quem recebe a ajuda, etc..) como de natureza social, como a aprovação de pessoas próximas e da comunidade que julga com bons olhos tais atitudes", destaca.
TURMA DO BEM
Em Cachoeirinha, município com 127 mil habitantes ao lado de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, um grupo de voluntários nasceu em 2008. A empreendedora Angela Severgnini, 32 anos, conta que na véspera de um Natal viu crianças pedindo na rua e lembrou da sua infância muito humilde. "Eu estava com amigas e conversamos sobre aquilo e resolvemos comprar uns brinquedos e distribuímos em uma vila. Foi muito gratificante", diz.
A Turma do Bem conta hoje com cerca de 40 voluntários que participam de três festas anuais nas Vilas Maria, Olaria e Canarinho, regiões pobres da periferia da cidade. As atividades são na Páscoa, Dia da Criança e Natal. "Durante o ano, visitamos as crianças e realizam concursos de redações. Os autores das quatro melhores ganham bicicletas." No inverno, são realizados seis sopões e os beneficiados são moradores de rua de Cachoeirinha e Porto Alegre, que também recebem roupas. Todo o trabalho é realizado com a captação de doações feitas em contatos com amigos e empresários. "Muita gente nos ajuda e não temos dificuldades para arrecadar".
Para Angela, a atividade solidária se transformou em um vício. "É gratificante você poder fazer algo pelos outros. A gente vê muita miséria e famílias sem estrutura alguma. Levar um pouco de alegria e mostrar que alguém deseja algo melhor para eles também nos conforta", avalia.
SER ALTRUÍSTA É CONTAGIANTE
A empresária Aline da Rosa Raupp, 34 anos, faz parte do grupo e salienta que o altruísmo sempre a acompanhou. "Sempre tive em mim essa vontade de fazer pelo outro. Antes de receber o convite para me integrar na Turma do Bem, eu me limitava a ajudar "apadrinhando" uma cartinha dos Correios no Natal e com doações para algumas entidades. A Turma do Bem me faz viver a solidariedade. Participar das ações é ver com os próprios olhos, é sentir na pele as necessidades das pessoas, é ver o sorriso estampado em cada carinha pequena, é desejar que a situação atual delas se transforme. Ser altruísta é contagiante", conta.
Do ponto de vista pessoal, Aline ressalta que a solidariedade "é uma forma de transferir amor a um semelhante de maneira espontânea, pois além de doações materiais, levamos também muito afeto e atenção.
Para ela, "incluir o outro na minha vida me fez crescer internamente, me faz uma pessoa melhor a cada ação que realizamos além de que, o conhecimento das necessidades alheias, ampliou a minha percepção de mundo. Para mim, a existência só faz sentido quando se é útil e socialmente ativo. O voluntariado é um presente que a vida me proporcionou", salienta.







