SEE JORNAISSábado, 12 de setembro de 2026Leia também: Cabeço Negro

Costa da Lagoa: a comunidade isolada de Florianópolis que une tradição e busca por paz

Costa da Lagoa, em Florianópolis, une famílias tradicionais como Seu Dico, mestre pescador e artesão, a novos moradores como fotógrafa Cristina, atraídos pela paz sem estradas. Histórias de pesca, canoas centenárias e desafios de acesso revelam o encanto e perrengues dessa comunidade acessível só por barco ou trilha.

Costa da Lagoa: a comunidade isolada de Florianópolis que une tradição e busca por paz

Costa da Lagoa, em Florianópolis, une famílias tradicionais como Seu Dico, mestre pescador e artesão, a novos moradores como fotógrafa Cristina, atraídos pela paz sem estradas. Histórias de pesca, canoas centenárias e desafios de acesso revelam o encanto e perrengues dessa comunidade acessível só por barco ou trilha.

A Costa da Lagoa, em Florianópolis, atrai quem sonha com uma vida mais simples e conectada à natureza. Mas será que o isolamento compensa os desafios? Neste artigo, exploramos histórias reais de moradores antigos e novos.

A herança da pesca artesanal com Seu Dico

Nildo Nicodemos Frutuoso, o Seu Dico, de 65 anos, é um dos pilares da Costa da Lagoa. Filho de Dona Zara, mãe de 21 filhos, ele carrega a tradição da pesca artesanal desde o bisavô. Hoje aposentado, pesca sardinha, camarão, siri e carapeva, mas admite: "Só da pesca já não tem mais como sobreviver".

Nos anos 80, aos 20 anos, Seu Dico pescava até 460 quilos de peixe de tarrafa em uma manhã. Agora, a concorrência cresceu com a população e redes modernas, que chegam prontas em um dia – diferente dos meses ou anos de antigamente. "Todo mundo quer chegar na frente onde tá o peixe, mas a lagoa é pra todos", filosofa ele, em entrevista à NSC Total.

Além da pesca, Seu Dico constrói miniaturas de canoas, de 3 cm a 1,5 m, em garapuvu – madeira protegida, usada só se caída naturalmente. Reconhecido como Mestre da Cultura Popular de Santa Catarina pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC), ele expõe no Mercado Público de Florianópolis. Uma relíquia de 120 anos, do bisavô, ainda vela em competições. "Eu comprei ela de volta não pela canoa, mas pela história", conta.

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Do passado sem eletricidade à rotina de hoje

Imagine uma infância sem água encanada ou luz elétrica. Seu Dico relembra: a mãe levava roupa ao Casarão da Dona Lóquinha para lavar e buscar água. Fogão a lenha aceso 24 horas, peixe fresco ou seco, plantações de feijão e batata. Carne? Só no Natal, Ano Novo ou Páscoa, trazida a cavalo de Ratones, anotada em caderno. Transporte: 2 a 3 horas de canoa a remo.

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